- O mercado de carros elétricos na Índia cresceu 25% no ano encerrado em março de 2026, e os EVs ultrapassaram 5% do mercado de veículos de passeio.
- Em carros de maior preço (acima de 1 milhão de rúpias), um em cada dez veículos vendidos já é elétrico; bicicletas e rodas elétricas respondem por mais de 30% e 15% das suas respectivas vendas.
- A alta dos preços de combustível, aliado à importação de quase 90% do petróleo, aumenta o interesse por EVs; normas regulatórias, como o CAFE-3, devem entrar em vigor a partir de abril do próximo ano até 2032 e devem tornar as metas mais binding.
- As políticas locais, como em Delhi, propostas para eliminar motores de combustão interna existentes e proibir novos registros de veículos ICE até 2027, ajudam a empurrar a adoção.
- Embora o número de pontos de recarga tenha crescido de 2 mil para mais de 10 mil nos últimos três anos, a infraestrutura é desigual e o país ainda fica atrás de grandes economias, como a China, em pontos de carregamento públicos.
O mercado de carros elétricos na Índia apresentou crescimento significativo no último ano fiscal, com altas de 25% na virada de março de 2026. O share de veículos elétricos (EVs) no mercado de veículos de passeio ultrapassou 5% no início deste ano, marco visto como ponto de inflexão para adoção em massa. A associação de concessionárias de automóveis do país apontou que a transição já é substancial, não apenas direcional.
A adoção avança especialmente em modelos de maior valor, acima de um milhão de rúpias, onde cerca de 10% das vendas são elétricas. Em especial, três rodas e motos elétricas respondem por mais de 30% e 15% das vendas, respectivamente, nesses segmentos. A espiral de preços do combustível, impulsionada pela queda de produção e pela elevação de impostos, tem sido um dos motores por trás desse movimento.
Contexto regulatório e preço do combustível
O choque recente no preço do petróleo, após o conflito no Oriente Médio, elevou o custo de abastecimento. A Índia importa quase 90% de seu petróleo, e as fornecedoras estatais de combustível elevaram os preços após quatro anos de relativa estabilidade. O primeiro-ministro Narendra Modi pediu que cidadãos adotem carona, transporte público e home office para reduzir consumo de combustível.
Analistas indicam que a incerteza de preços, aliada ao aumento recente, fortalece a justificativa para EVs. A expectativa é de que normas regulatórias mais rígidas, como o CAFE-3, entrem em vigor em abril do próximo ano e vão até 2032, ampliando o incentivo à adoção.
CAFE-3 e impactos esperados
Segundo Venugopal Garre e Param Shah, da Bernstein, o CAFE-3 deverá tornar obrigatórias metas de redução de emissões, com queda de 113g/km para 76g/km até 2032. Penalidades mais efetivas para fabricantes podem acelerar a transição, diferente do cenário atual, onde multas não são oficialmente cobradas com rigor.
Cidades como Delhi já apresentaram propostas de políticas ambiciosas para eliminar motores de combustão interna e suspender o registro de novos ICE, ainda em 2027, envolvendo veículos de dois e três rodas. Isso reforça o foco de longo prazo na eletrificação do mercado.
Infraestrutura e cadeia de suprimentos
Apesar do crescimento de pontos de carregamento — de 2 mil para mais de 10 mil nos últimos três anos — a infraestrutura ainda é desigual. Quatro dos 28 estados respondem por mais de metade dos carregadores, e a diferença para a China é acentuada: o país tem cerca de 20 milhões de pontos de carregamento públicos, contra 10 mil na Índia.
A conectividade entre produção local e suprimento global de minerais é outro desafio. A Índia depende de insumos como lítio e cobalto, com a China dominando grande parte do refino e separação de terras raras. A estratégia nacional prevê ampliar a produção local, mas analistas alertam que soluções integradas podem levar mais de uma década.
Perspectivas de curto prazo
O pipeline de lançamentos e a implementação do CAFE-3 devem impulsionar a penetração de EVs na Índia, com estimativas de atingir 9% no mercado de veículos de passeio até 2030. No segmento de duas rodas, a demanda tende a crescer com novos modelos acessíveis, enquanto os três-rodas devem superar as variantes não elétricas até 2030.
Especialistas ressaltam que a transição tende a ser assimétrica, com maior aceleração em categorias de alto uso e custos sensíveis. A definição regulatória clara, porém, é vista como crucial para dar seguro aos investimentos da indústria e à evolução da cadeia de suprimentos.
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