- A indústria marítima permanece cautelosa para cruzar o estreito de Ormuz, esperando a assinatura do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã e segurança jurídica antes de liberar navios do Golfo Pérsico, com cerca de seiscentos barcos ainda retidos.
- Mesmo com falas firmes de Donald Trump, o mercado reagiu com alívio inicial, queda no petróleo e alta de ações de transporte; houve passagem de um cargueiro cisterna com gás natural liquefeito carregado em Qatar, sinalizando possível retomada gradual.
- Irã afirma ter visto navios atravessando a zona de bloqueio sem incidentes; autoridades destacam que a cooperação ainda é frágil e que há relatos de “flota fantasma” para escapar de controles, o que aumenta a vigilância das operadoras.
- BIMCO e outras associações pedem que a Organização das Nações Unidas, via Organização Marítima Internacional, organize um corredor seguro, para evitar dependência de rotas arriscadas patrocinadas por EUA e Irã.
- Projeções de recuperação são graduais: quinze cruces diários inicialmente, chegando a quarenta no final de duas semanas e entre sessenta e setenta no fim do primeiro mês; a normalização completa pode levar até novembro, e ainda não está definido se haverá tarifas ou taxas para o estreito.
Pelo clima de cautela que envolve o Estreito de Ormuz, a indústria marítima aguarda a assinatura de um memorando entre Estados Unidos e Irã para anunciar a retomada de navegação na região. A expectativa é de que o documento seja assinado na sexta-feira, mas as operadoras permanecem receosas. Cerca de 600 navios permanecem retidos na zona desde o início do conflito.
Especialistas e empresas de navegação exigem garantias de segurança jurídica antes de cruzar o estreito. Navios-patrulha e medidas de proteção foram citados como essenciais para reduzir riscos. As declarações ambíguas de Washington e Teerã alimentam incerteza entre armadores, que já enfrentaram ataques, abordagens e apreensões no passado.
Na prática, os sinais de reação do mercado foram mistos. O navio cisterna Disha, com 62 mil toneladas de gás natural liquefeito, atravessou o estreito em direção à Índia, indicando alguns passos controlados. Outros grandes petroleiros se posicionam na entrada leste de Ormuz, caso a passagem seja reaberta.
Fontes iranianas destacam uma leitura positiva de sinais de cooperação. Três navios iranianos, incluindo um superpetrolero, teriam entrado ou saído de portos passando pela zona de bloqueio, sem incidentes. O ministro de Relações Exteriores de Irã descreveu isso como um indício de boa vontade e de início de implementos do memorando.
Entidades do setor, como BIMCO, pedem participação da ONU e da Organização Marítima Internacional para conduzir uma passagem segura através de Ormuz. A ideia é evitar rotas alternadas ligadas a interesses de Estados Unidos e Irã, que apresentariam mais riscos à navegação.
Em relação aos prazos, executivos de empresas como MOL permanecem cautelosos. O Financial Times divulgou que o tráfego não deverá normalizar de imediato, com previsão de semanas até a abertura plena. Outras operadoras, porém, esperam aumento de cruzamentos já neste fim de semana.
Prognósticos de analistas apontam recuperação gradual do tráfego. A consultoria Kpler projeta cerca de 15 cruzamentos diários nos primeiros dias, crescendo para 40 no fim da segunda semana e 65-70 no fim do primeiro mês após a assinatura. As seguradoras devem reduzir prêmios conforme a demanda se normaliza.
Sobre custos, persiste a discussão sobre possíveis taxas de passagem. Washington nega cobrança de peagens, enquanto autoridades iranianas afirmam que o pagamento de taxas de serviço, proteção ambiental e seguro pode ocorrer após uma moratória de 60 dias, enquanto se negocia a questão nuclear.
Segundo fontes ligadas às negociações, o tema de Ormuz foi um dos pontos centrais de atrito para o acordo. A posição de Teerã é de que o estreito demande gestão dos serviços de navegação por parte do Irã e de Omã, com eventual cobrança de taxas durante o período de transição.
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