- Maersk completou duas viagens com 100% etanol no primeiro trimestre de 2026.
- Empresas do setor, incluindo Maersk e Vale, buscam no etanol um combustível marítimo para reduzir emissões, com expectativa de expansão comercial já no próximo ano.
- A X-Press Feeders testou uma mistura de 10% etanol e 90% metanol em um navio porta-contêieres; a Vale assinou contrato para construir duas embarcações que podem operar com etanol, metanol ou óleo combustível pesado.
- O etanol pode ser usado em motores compatíveis com metanol sem grandes adaptações, e, dependendo de custos e disponibilidade, pode competir com o óleo combustível pesado; o metanol verde enfrenta restrições de fornecimento a curto prazo.
- Espera-se aumento de operadores comerciais de abastecimento de etanol nos próximos 12 a 24 meses, com Santos (Brasil) e Cingapura liderando a infraestrutura, e a demanda global por milho como matéria-prima em alta.
O setor de transporte marítimo está expandindo o uso de etanol como combustível, buscando reduzir emissões. Maersk concluiu duas viagens no primeiro trimestre de 2026 com etanol 100% a bordo. A Vale firmou acordo para navios capazes de operar com etanol, metanol ou óleo pesado. Observa-se interesse crescente devido à disponibilidade de etanol, custo competitivo e infraestrutura existente.
Analistas veem o etanol como complemento ao metanol, já presente na pauta de combustíveis alternativos. A adoção gradual pode ocorrer sem grandes adaptações, especialmente em navios já preparados para metanol. A demanda pode abrir novo canal para o etanol, sem depender exclusivamente de uma única fonte.
Estágio de testes e atores
Maersk concluiu duas viagens com etanol total no início de 2026, após pilotos com 10% e 50% de etanol em navios compatíveis com metanol. A empresa aponta o etanol como opção com mercado global estabelecido e infraestrutura já existente.
X-Press Feeders informou testes com mistura de 10% etanol e 90% metanol em um porta-contêineres em Roterdã. A Vale anunciou contrato com a Shandong Shipping Corp para construir duas embarcações capazes de operar com etanol, metanol ou óleo combustível pesado.
Cenário, custos e disponibilidade
Especialistas afirmam que o etanol pode exigir menos adaptações que outros combustíveis, mantendo compatibilidade com motores de metanol existentes. A disponibilidade de metanol verde é apontada como desafio no curto prazo, elevando o interesse pelo etanol.
Dados do setor indicam que, até 2030, devem existir cerca de 450 navios compatíveis com metanol, ante 107 em 2025, incluindo novas construções. O etanol, por sua vez, tem como vantagem o abastecimento por grandes polos agrícolas, como EUA e Brasil, com milho como principal matéria-prima.
Perspectivas de mercado e logística
Autoridades e entidades do setor aguardam expansão de operações de abastecimento de etanol nos próximos 12 a 24 meses, com Santos e Cingapura figurando entre os centros principais. Cingapura trabalha para ampliar infraestrutura e normas que apoiem múltiplos combustíveis marítimos.
Analistas ressaltam que o etanol pode competir com o óleo combustível de baixo teor de enxofre em custo, via disponibilidade regional, e como alternativa de diversificação de fontes de energia. As entradas no Golfo dos EUA e evoluções na Europa devem acompanhar esse movimento.
Entre na conversa da comunidade