- Em 2025, Estambul volta a ser a cidade mais congestionada do mundo, com 16 milhões de habitantes e parque automobilístico que chegou a 6,2 milhões de veículos.
- A expansão do trânsito ocorre mesmo com três pontes intercontinentais, dois túneis subaquáticos e uma geografia que separa Europa e Ásia pelo estreito do Bósforo.
- Houve 118 horas perdidas em engarrafamentos, quase cinco dias por ano, aumento de 12% ante 2024 e 30% em relação ao ano anterior.
- Cerca de metade dos deslocamentos diários é feito por carro; pouco mais de 40% utilizam serviços ferroviários e 5% utilizam balsas; infraestruturas não acompanham a demanda.
- Estudos indicam impactos na saúde mental e física, com aumento de depressão, ansiedade e riscos para pulmões; as balsas são apontadas como a opção mais tranquila.
Estambul volta a ocupar o topo do ranking de cidades com maior congestionamento do mundo pelo segundo ano consecutivo. Em 2025, a megacidade turca acumula longos períodos de trânsito, reflexo do rápido crescimento populacional e de infraestrutura insuficiente frente à geografia acidentada do Bósforo.
A cidade abriga cerca de 16 milhões de habitantes, e o parque automotivo quase dobrou em duas décadas. Em Estambul, há aproximadamente uma vaga pública para cada seis veículos, levando ruas e praças a abrigarem carros em diversas áreas. O governo abriu dezenas de escolas para usar pátios como estacionamento fora do horário escolar.
Mais da metade dos motoristas estambulienses usa o automóvel para deslocamentos diários, acumulando 118 horas em congestionamentos anuais. Esse tempo representa quase cinco dias perdidos por ano, com alta de 12% frente a 2024 e 30% acima de 2023.
Cruzar o Bósforo
O estreito que separa Europa de Ásia delimita a cidade em duas penínsulas, agravando o tráfego. Estabelecimentos com três pontes intercontinentais e dois túneis não conseguiram conter a demanda por vias rodoviárias que avançam lentamente, principalmente nos acessos às margens do Bósforo.
O aumento da frota acompanha o crescimento populacional: hoje são 6,2 milhões de veículos, três vezes o número de 20 anos atrás. Em termos percentuais, o volume de veículos por habitante continua menor que em Madrid ou Barcelona, mas a infraestrutura não acompanha o ritmo de expansão.
Profissionais apontam que as políticas de planejamento urbano contribuíram para a expansão da cidade rumo ao norte, onde faltam opções de metro. Em média, nove milhões de estambulienses se deslocam diariamente de carro, ônibus, dolmus ou moto, com ferrovias e balsas representando parcela relevante.
Impactos e soluções
Estudos indicam que a convivência prolongada com o tráfego eleva índices de depressão, ansiedade e irritação. Pesquisadores sugerem que o problema também está relacionado a riscos de saúde a longo prazo. Por outro lado, o transporte público avançou: a rede ferroviária local ganhou mais de 300 quilômetros desde o início do século, mas ainda não atende a todos os bairros.
Especialistas afirmam que, apesar das metas para 2035, apenas parte da população terá acesso direto ao metro. Em média, metade dos deslocamentos acontece por vias terrestres, enquanto cerca de 40% utilizam opções ferroviárias e 5% recorrem a balsas. Usuarios destacam que as balsas costumam oferecer um escape mais agradável.
As autoridades reconhecem o desafio e mantêm a atualização de obras planejadas para ampliar cobertura de transporte público, embora o equilíbrio entre expansão urbana e mobilidade permaneça como ponto crítico para a cidade.
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