- Trabalhadores de um centro de distribuição em Mississauga, Ontário, assinaram o primeiro acordo coletivo com a Walmart, em maio.
- O acordo prevê aumento salarial, garantias sobre condições de trabalho e um pagamento único para encerrar alegações de práticas trabalhistas injustas.
- A líder da Unifor, Lana Payne, afirmou que a vitória é histórica e pode estimular a sindicalização de grandes empregadores no país.
- A estratégia sindical priorizou a cadeia de suprimentos, mirando centros de distribuição que atendem mais de cem lojas físicas e operações de venda online.
- A Unifor abriu uma segunda frente em British Columbia com uma unidade da Amazon; a Junta de Trabalho local determinou atraso de aumentos salariais e estima pagamento de mais de $1 milhão em salários retroativos, com possibilidade de imposição de um primeiro contrato caso não haja acordo.
Mississauga, Ont. — Trabalhadores de um centro de distribuição da Walmart assinaram o primeiro acordo coletivo com a empresa no Canadá. O acordo, fechado em maio, inclui aumento salarial, melhorias nas condições de trabalho e um pagamento único para resolver acusações de práticas trabalhistas injustas. A mudança é celebrada pela Unifor como marco histórico.
O sindicato Unifor destacou que a unidade no centro de distribuição serve a uma das maiores áreas de atuação da Walmart no país, com tensões anteriores entre a empresa e a organização de trabalhadores. A negociação durou dois anos, após a primeira organização formal em 2024.
Lana Payne, presidente da Unifor, ressaltou que a vitória foi resultado de estratégia voltada a áreas com maior impacto no negócio, além de prever efeito cascata na cadeia de suprimentos. Segundo a entidade, o acordo deve estimular a organização em outras áreas da empresa.
Evolução da estratégia e impacto no setor
A Unifor já ampliou a defesa salarial para a região, ainda que a unidade de distribuição tenha ficado com a novidade do acordo. A Walmart se comprometeu a pagar o valor único para encerrar a queixa de prática trabalhista, sem comentário imediato da empresa.
Analistas lembram que a transformação econômica recente fortalece o peso de tecnologia e comércio eletrônico, mudando a forma como trabalhadores se organizam. A Unifor aponta que leis trabalhistas atuais dificultam o enfrentamento a grandes corporações.
Em paralelo, a Unifor abriu outra frente de atuação: uma fábrica da Amazon na Colúmbia Britânica, onde a gestão é alvo de disputas trabalhistas. O setor passa por mudanças relevantes em um ambiente regulatório mais favorável à organização.
Caso da Amazon e quadro regulatório
A autoridade trabalhista da Colúmbia Britânica determinou que a Amazon atrasou aumentos salariais em uma unidade, devendo devolver mais de US$ 1 milhão em salários retroativos. A empresa atribuiu o erro a uma interpretação do código trabalhista.
O caso pode abrir caminho para que outros trabalhadores recebam atualizações salariais devidas. A Amazon afirmou que buscará cumprir a lei e negociar com o sindicato em boa-fé, conforme informado pela empresa. A disputa continua sob mediação.
Especialistas avaliam que grandes varejistas possuem grande poder de definição de preços, salários e condições de trabalho, o que explica a resistência histórica a acordos coletivos. Contudo, a assinatura na Mississauga sinaliza potencial de avanço no país.
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