- Afastamentos por burnout no trabalho cresceram 823% nos últimos quatro anos no Brasil, segundo o Ministério da Previdência Social.
- A Norma Regulamentadora nº 1 passa por atualização e obriga o mapeamento de riscos psicossociais; as novas regras entram em vigor em 26 de maio de 2026.
- O escopo inclui excesso de demandas, assédio de qualquer natureza e falta de suporte no ambiente de trabalho, com identificação de riscos e medidas de prevenção.
- Empresas devem mapear situações de risco, revisar cargas de trabalho e jornadas, facilitar canais de denúncia e capacitar lideranças para detectar sinais de adoecimento emocional.
- Do ponto de vista econômico, reduzir o adoecimento emocional pode diminuir absenteísmo e turnover e aumentar a produtividade; a NR-1 é visto como ponto de partida para mudanças culturais.
A licença para afastamentos por burnout no Brasil atingiu nível alarmante, com o registro de crescimento de 823% nos últimos quatro anos. O dado vem do Ministério da Previdência Social e evidencia que a saúde mental no ambiente de trabalho passou a ser tema de gestão, não apenas de bem-estar individual.
A elevação ocorre em um contexto de custos para a economia, já que a Organização Internacional do Trabalho aponta perda anual global equivalente a 1,37% do PIB por riscos psicossociais. No Brasil, os impactos aparecem em afastamentos, turnover e queda de desempenho das equipes.
As informações ganham contornos práticos com a nova norma regulamentadora, que impõe mapeamento de riscos psicossociais. Empresas deverão identificar fatores de pressão no dia a dia dos trabalhadores e adotar medidas preventivas para evitar danos emocionais.
NR-1 entra em vigor em 26 de maio
A Norma Regulamentadora nº 1 passa por atualização e passa a exigir inclusão de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos. As novas regras entram em vigor no dia 26 de maio de 2026.
Segundo Darwin Grein, CEO da Juntxs, a mudança encerra uma espera de quase meio século. Para ele, demorou décadas para o tema ganhar escopo dentro das normas de segurança e saúde no trabalho.
O texto detalha o que entra no escopo: excesso de demandas, assédio em qualquer modalidade e falta de suporte no ambiente de trabalho passam a exigir identificação de riscos e medidas de prevenção.
O que as empresas precisam fazer agora
Grein afirma que a implementação começa pelo mapeamento das situações de risco vivenciadas pelas equipes, com revisão de cargas de trabalho, jornadas, canais de denúncia e avaliação das relações internas.
O ponto central é capacitar lideranças para reconhecer sinais de adoecimento emocional e agir preventivamente, segundo o executivo. A Juntxs atende empresas como Votorantim, Boticário, Nestlé, Banco Pan e Unilever.
Para ele, o desafio maior não é regulatório, mas cultural. Metodologias colaborativas de treinamento, ampliação de canais de comunicação e reestruturação de dinâmicas entre equipes aparecem como caminhos para além do cumprimento formal.
Impactos econômico e organizacional
Grein destaca que tratar burnout traz ganhos em três frentes: menos faltas, menor rotatividade e maior produtividade. Segundo ele, ao olhar interno, organizações podem reduzir absenteísmo e turnover, refletindo em desempenho.
A NR-1 atualizada é vista como ponto de partida para mudanças que as organizações já deveriam ter iniciado, não apenas como obrigação legal, mas como ferramenta de gestão. O objetivo é reduzir perdas no setor público e privado.
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