- Três engenheiros de software da Amazon, membros do grupo Amazon Employees for Climate Justice (AECJ), alegam retaliação após testemunharem sobre regulação de data centers em audiências da prefeitura de Seattle.
- Na véspera de uma reunião com o RH, os empregados foram informados de uma investigação interna com potencial de sanções, incluindo demissão, em 10 de junho, um dia após a aprovação de moratória para novos data centers pela Câmara Municipal.
- Eles protocolaram, na quinta-feira, uma queixa na Seattle Office for Civil Rights, acusando a Amazon de discriminação com base em opiniões políticas e filiação a um grupo.
- A moratória de um ano para grandes data centers já havia sido aprovada pela cidade, com debates sobre impactos em uso do solo, saúde pública, água, empregos e infraestrutura.
- Os casos acendem o debate sobre liberdade de expressão no ambiente de trabalho e a relação entre grandes empresas de tecnologia e regulações locais, com a Amazon até o momento sem resposta oficial.
Ao menos três engenheiros de software da Amazon afirmaram que foram chamadas a reuniões com o departamento de Relações com Funcionários após defender regulamentos sobre data centers durante audiências da Câmara Municipal de Seattle. As reuniões, ocorridas no dia 10 de junho, abriram um processo de investigação interna que pode resultar em sanções, incluindo desligamento. A denúncia aponta violação de leis locais contra discriminação baseada em expressão política.
Segundo as queixas apresentadas, as entrevistas com o RH foram marcadas apenas um dia após a cidade aprovar um moratório de emergência de um ano para grandes data centers. Os funcionários participavam de debates sobre impactos ambientais, uso de água e infraestrutura utilizado pela indústria. Os três também integram o grupo Amazon Employees for Climate Justice, que publicou uma carta aberta apoiando fontes locais de energia renovável para centros de dados.
Os profissionais envolvidos — Patrick Schloesser, Darius Irani e Liesl Wigand — teriam sido informados de que havia uma investigação interna que poderia culminar em medidas disciplinares. Eles apresentaram uma queixa à Secretaria de Direitos Civis de Seattle, alegando discriminação com base em suas posições políticas e na participação em um grupo de defesa ambiental ligado à empresa.
A defesa das vítimas destaca que Seattle é uma das poucas jurisdições a proibir discriminação privada contra funcionários por crenças políticas e filiação a organizações. A advogada do AECJ ressaltou que a proteção legal permitiu aos membros falarem sobre regulamentação de data centers e IA sem sofrer retaliação. Representantes do movimento reiteraram que são necessárias vozes técnicas para discutir impactos locais sem punição por exercer a cidadania corporativa.
A agência local de direitos civis deve apurar as alegações e determinar ações para corrigir eventuais discriminações. A defesa da Amazon não foi divulgada até o fechamento deste texto. O episódio ocorre em meio a debates sobre os benefícios e custos dos data centers, com foco em impactos sobre emprego, serviços públicos e uso de recursos na região de Seattle.
A auditoria sobre as dimensões da construção de data centers no país ganhou repercussão após a divulgação de propostas de instalação de novas unidades na cidade, com estimativas de consumo de energia significativas. Além disso, aumentam as preocupações sobre impactos na comunidade local, custos de eletricidade e uso de água, temas centrais para moradores e empresas da região.
Os envolvidos argumentam que a manifestação pública não deve servir de pretexto para retaliação. O grupo AECJ condiciona o uso de direitos democráticos à proteção de funcionários que defendem políticas públicas, argumentando que restrições a vozes internas da empresa podem comprometer a transparência e o debate técnico necessário para decisões sobre infraestrutura crítica.
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