- Em 2024, 70,1% dos homicídios no Brasil foram cometidos com arma de fogo, totalizando 29.870 casos, entre 42.590 homicídios registrados pelo Ministério da Saúde.
- Foi a menor participação de armas de fogo nesses crimes desde 2014, com queda de 8,8% em relação a 2023.
- Nordeste concentra oito dos dez estados com maior participação de armas de fogo nos homicídios: Ceará, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Maranhão; Amapá e Rio Grande do Sul completam a lista, mantendo a média nacional de 70,1%.
- Entre os estados com menor participação estão o Distrito Federal (40,6%), Roraima (43,7%) e Tocantins (49,8%). Os Sudeste e Norte apresentam tendências distintas, com redução na Sudeste e alta em parte do Norte.
- O estudo aponta aumento do uso de armas mais modernas e letais, como pistolas semiautomáticas e armas de estilo militar, com possível origem de armamentos desviados de vias legais para o crime.
Sete em cada dez homicídios no Brasil em 2024 foram cometidos com arma de fogo, aponta o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Ipea e pelo FBSP. No total, foram 29.870 homicídios efetuados com armas de fogo, representando 70,1% do total de 42.590 registros pelo Ministério da Saúde.
A taxa é a menor registrada pela década, com queda de 8,8% em relação a 2023. Ainda assim, o uso de armas continua próximo à média histórica, e a redução não ocorreu de forma uniforme em todas as unidades federativas.
O Nordeste concentra a maior participação de homicídios com armas de fogo: Ceará, Paraíba, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Maranhão aparecem entre os dez estados com maior share de mortes com armas. Completam a lista Amapá e Rio Grande do Sul. A média nacional é de 70,1%.
Mudanças regionais e causas
Distrito Federal, Roraima e Tocantins registraram as menores proporções de homicídios por arma de fogo. Ao longo dos últimos dez anos, todos os estados do Sudeste reduziram a participação de armas, enquanto no Norte houve aumento em cinco dos oito estados.
Entre os estados com maior alta estão Amapá (+40,9%) e Roraima (+41,7%); o Distrito Federal teve a maior redução, com queda de 45,9%. A explicação envolve três fatores: transição demográfica, políticas públicas estaduais e governança do crime organizado.
Segundo Daniel Cerqueira, do Ipea, a transição demográfica ainda não foi uniforme: Sul e Sudeste avançaram na redução de jovens, enquanto Norte e Nordeste mantêm participação juvenil mais elevada, influenciando as dinâmicas de violência.
Políticas públicas estaduais também impactam os números. A eficácia de ações de segurança pública não depende apenas do reforço policial, mas de estratégias integradas. Um exemplo citado é o Pacto pela Vida, em Pernambuco, com impactos na redução de mortes.
A governança do crime organizado também pesa. Facções com maior profissionalização tendem a reduzir conflitos abertos, enquanto organizações com atuação no varejo de drogas costumam gerar violência mais localizada, especialmente no Nordeste.
Caso recente de circulação ilícita de armas é destacado pelo Atlas, que cita estudo de 2025 sobre armas apreendidas entre 2019 e 2023. Houve queda de revolveres, aumento de pistolas semiautomáticas e maior presença de armas de estilo militar no país e no Sudeste.
Pesquisadores associam a maior disponibilidade de armamentos ao aumento de acesso de organizações criminosas a diferentes tipos de armas, incluindo origem legal desviada para o tráfico. A tendência é associada a mudanças no mercado de armas entre 2019 e 2022.
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