- Morador de São Paulo foi conduzido quatro vezes à delegacia em sete meses após ser reconhecido pelas câmeras do Smart Sampa por semelhança com um foragido do Mato Grosso.
- A Secretaria de Segurança Pública afirmou que o nome foi removido do BNMP e as fotos retiradas para evitar novas abordagens; a prefeitura, pela SMSU, diz que não houve falha no software.
- O Smart Sampa (desde julho de 2024) é o maior ecossistema de vigilância inteligente da América Latina, com cerca de quarenta mil câmeras que cruzam dados em tempo real para identificar foragidos, desaparecidos e veículos roubados.
- Organizações da sociedade civil, como a Coalizão Direitos na Rede, contestam as falhas de identificação, apontam riscos à privacidade e à LGPD, e defendem governança e responsabilização estatal mais rigorosas.
- Especialistas afirmam que IA pode aumentar a eficiência da gestão urbana e a velocidade de resposta, mas destacam a necessidade de regras claras, privacidade desde o design e supervisão constante.
Um morador de São Paulo ficou sob vigilância constante após ser identificado repetidamente por câmeras do programa Smart Sampa. Em sete meses, ele foi levado à delegacia quatro vezes por suposta semelhança com um foragido do Mato Grosso, ainda que houvesse diferenças de idade, filiação e grafia do sobrenome.
A Secretaria de Segurança Pública informou à CNN que o nome dele já foi removido do BNMP e as fotos já foram retiradas da base estadual para evitar novas abordagens indevidas. Não houve confirmação de falha no sistema pela SSP.
A SMSU, por sua vez, reforçou a eficiência do Smart Sampa e afirmou que não houve falha no software. A secretaria destacou que o programa utiliza bases oficiais para reconhecimento facial e confirmação de mandados, atuando em parceria com a GCM e outras forças.
O que é o Smart Sampa
Lançado em julho de 2024, o Smart Sampa é descrito pela gestão municipal como o maior ecossistema de vigilância inteligente da América Latina. Conta com cerca de 40 mil câmeras públicas e privadas, que cruzam dados em tempo real para localizar foragidos e veículos roubados.
O sistema integra imagens captadas em vias públicas com bases oficiais, como o banco de procurados da SSP, e o sistema Córtex do Ministério da Justiça. Quando há confirmação de mandado, é emitido alerta para as equipes de segurança.
A central funciona com cooperação entre a prefeitura, condomínios, residências e comércios, além de parcerias com CET, SPTrans, Defesa Civil, Polícia Civil, Militar e Federal. A tecnologia também busca melhorar mobilidade e resposta a emergências.
Reações e críticas
Organizações da sociedade civil cobraram transparência e governança. A Coalizão Direitos na Rede destacou riscos de uso de reconhecimento facial sem regulação e mecanismos de responsabilização, citando falsos positivos e impactos desproporcionais, especialmente sobre pessoas negras.
O debate técnico aponta para falhas estruturais no uso da tecnologia, com preocupações sobre privacidade, LGPD e direitos civis. Defensores pedem avaliações independentes, contratos mais transparentes e padrões de accountability para o poder público.
Riscos e benefícios da IA na cidade
Especialistas lembram que IA pode reduzir tempo de resposta e ampliar a capacidade de gestão urbana, além de apoiar mobilidade, iluminação e emergências. Contudo, ressaltam que o avanço exige regras claras, supervisão adequada e uso responsável para evitar abusos.
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