- Uma investigação publica áudio e transcrição de conversas entre o ministro de Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, e o ministro russo, Serguéi Lavrov, sobre influenciar sanções da UE a Moscou.
- No diálogo, Szijjártó informa que, junto com a Eslováquia, planeja apresentar à União Europeia a retirada da irmã do oligarca Usmanov, Gulbahor Ismailova, da lista de sancionados.
- Os ministros mencionam apoiadores da Ucrânia na UE e criticam o alto representante da UE, Josep Borrell; Szijjártó afirma estar “sempre a serviço” de Lavrov.
- A divulgação sustenta relatos anteriores de que Budapeste repassa deliberadamente informações sensíveis da UE a Moscou, aumentando a tensão com Bruxelas durante o período eleitoral.
- Em outra conversa de 2025, Szijjártó diz estar buscando revogar o pacote de sanções contra a frota russa e pede ajuda para identificar impactos diretos sobre a Hungria, incluindo entidades financeiras.
A investigação de um consórcio de imprensa revelou conversas entre os ministros de Exteriores da Hungria e da Rússia sobre influenciar as sanções da UE contra Moscou. O material inclui áudio e transcrição de diálogos entre Serguéi Lavrov e Péter Szijjártó envolvendo a retirada da irmã de um oligarca da lista de sanções. A divulgação ocorre semanas antes das eleições na Hungria.
Segundo o material, Lavrov comunicou a Szijjártó um pedido de Alisher Usmanov para agir em favor de sua irmã, Gulbahor Ismailova, investigada pela imposição de sanções. Szijjártó relatou planos de apresentar, com a Eslováquia, uma proposta à UE para retirar Ismailova da lista, com o período de revisão se aproximando.
Os diálogos também tratam das posições de membros da UE favoráveis à Ucrânia e de críticas a figuras europeias, incluindo o então Alto Representante para Exteriores, Josep Borrell. Em meio às falas, Lavrov é chamado de “a maior decepção” e Szijjártó, de “o Biden europeu”.
Implicações e reações em Bruxelas
O material reforça acusações de coordenação entre Budapeste e Moscou para decisões da UE. Szijjártó admitiu contatos com a Rússia após revelações anteriores, mas ressaltou que as informações oficiais são divergentes do público. Em redes sociais, o ministro destacou que as sanções seriam um fracasso e reforçou a posição governamental contra restrições a entidades energéticas.
A imprensa também aponta contatos entre Szijjártó e oficial russo da área energética para discutir o pacote de sanções à frota fantasma russa e a proteção de entidades húngaras. Em diálogo, o ministro pediu ajuda para identificar impactos diretos sobre a Hungria e comentou a retirada de bancos da lista.
Reação oficial e cenário político
A Comissão Europeia sinalizou manter o equilíbrio institucional, enfatizando o segredo das discussões entre os poderes da UE. A chefe da diplomacia europeia lembrou a importância de confidencialidade e da integridade das comunicações internas, em meio às tensões com Budapeste.
O governo húngaro enfrenta pressão de Bruxelas à luz das revelações, especialmente durante o período eleitoral. Orbán tem sido visto como desafiador de decisões da UE, com ações recentes ligadas a relações com a Rússia e a contestação de medidas de apoio à Ucrânia.
O caso se soma a investigações de injerência russo-húngara, com relatos de espionagem no equivalente de uma embaixada e de campanhas midiáticas pró-Rússia. A cobertura aponta para uma estratégia mais ampla de influência sobre o processo eleitoral e as políticas da UE.
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