- Estudo do J. P. Morgan Private Bank com 333 family offices em 30 países aponta que 65% pretendem priorizar investimentos ligados à inteligência artificial, mas 57% não têm alocação em growth equity ou venture capital e 79% não investem em infraestrutura.
- A IA é citada como área prioritária de investimento para o futuro por 65% das family offices, ficando à frente de saúde (50%), infraestrutura (41%) e cibersegurança (34%).
- Em média, 38,4% do patrimônio está em ações listadas e 30,8% em investimentos privados, totalizando mais de dois terços dos ativos; renda fixa representa 14,8% e caixa, 7,8%.
- Na América Latina, as famílias valorizam estabilidade e preservação de capital; 54 family offices latino-americanos integram o grupo global pesquisado, com foco em renda fixa.
- Ouro e criptoativos têm participação minoritária: 72% não investem em ouro e 89% não investem em criptoativos; quando investem, ouro soma 0,9% do portfólio e criptoativos 0,4%.
A maioria dos family offices globais ainda não destinou parcela significativa de seus portfólios a investimentos em inteligência artificial (IA) nem a infraestruturas que sustentam esse setor. O levantamento, feito pelo J.P. Morgan Private Bank com 333 family offices em 30 países, envolve cerca de US$ 518 bilhões em patrimônio total. O estudo teve acesso antecipado pela Bloomberg Línea.
Entre os números, 65% dos escritórios planejam priorizar investimentos relacionados à IA. No entanto, 57% não possuem alocação em growth equity ou venture capital, nichos com potencial de financiar tecnologias e negócios de alto impacto. Já na infraestrutura, 79% mantêm zero investimento, o que contrasta com a visão de IA como alavanca futura.
Essa dissociação aparece mesmo com a IA sendo citada como prioridade por 65% dos escritórios, acima de áreas como inovação em saúde (50%), infraestrutura (41%) e cibersegurança (34%). Os dados indicam concentração ainda em classes de ativos mais tradicionais.
Cenário global
Em média, 38,4% do patrimônio está em ações listadas e 30,8% em investimentos privados, incluindo participações em empresas de capital fechado, imóveis e fundos multimercados. Juntas, essas categorias representam mais de dois terços dos ativos sob gestão.
Renda fixa responde por 14,8% e caixa, 7,8%. O ambiente de juros altos explica parte da preservação de liquidez pelos family offices. O uso de ouro e criptoativos segue com baixa participação, com 72% sem exposição ao ouro e 89% sem investimentos em criptoativos.
No âmbito geográfico, os EUA concentram o peso das carteiras. Large caps americanas dominam a parcela de renda variável para escritórios sediados nos EUA e no exterior. Além disso, mercados europeus desenvolvidos e o Reino Unido aparecem como destinos relevantes para ampliação de exposição nos próximos 12 a 18 meses, impulsionados por temas de defesa, energia e infraestrutura.
América Latina
Na América Latina, a prioridade é a estabilidade e a preservação de capital. A região lidera em renda fixa entre os entrevistados, segundo Natacha Minniti, co-líder da prática de family office no JP Morgan Private Bank. Do total de escritórios pesquisados, 54 estão na região.
Cada office controla, em média, US$ 1,16 bilhão, com patrimônio médio de US$ 1,6 bilhão. Entre os investimentos privados, private equity fica em 9,8%, seguido por real estate (7,4%) e controle em empresas de capital fechado (6,1%). Fundos multimercados representam 4,7%.
O estudo aponta ainda baixa participação regional: 80% não investem na América Latina, e 17% investem entre 1% e 9% do portfólio na região. Em setores emergentes, a alocação permanece restrita.
Riscos e perspectivas
Geopolítica aparece como principal risco global, segundo a maioria dos participantes. A inflação também é citada por cerca de 60% como fator de risco, com resposta voltada mais a investimentos alternativos do que a defensivos tradicionais, como o ouro. Entre quem vê a inflação como risco, a alocação em ativos alternativos chega a quase 60%.
O estudo do J.P. Morgan destaca, assim, a busca por estratégias de longo prazo que equilibrem liquidez, preservação de valor e oportunidades de crescimento, especialmente por meio de private equity, crédito privado e real estate.
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