- A Itaú Asset Management ampliou posições em academias, locadoras de veículos, energia, saneamento e crédito estruturado, buscando ativos descontados.
- A estratégia aproveita o maior retorno exigido pelos investidores diante da aversão ao risco e das reestruturações de dívidas no país.
- A gestora administra cerca de R$ 600 bilhões na classe de crédito privado, cerca de 25% do mercado brasileiro.
- Segundos Fayga Czerniakowski Delbem, há oportunidades em operações estruturadas e em setores com maior proximidade às empresas e análise de risco proprietária.
- O cenário inclui recuperação gradual de fluxos de resgates e menor aversão ao risco, com produtos de maior qualidade mantendo demanda estável.
A Itaú Asset Management, maior gestora de crédito privado do Brasil, está ampliando posições em academias, locadoras de veículos, energia, saneamento e crédito estruturado. A declaração veio em entrevista à Bloomberg News e aponta a busca por ativos descontados diante do aumento da aversão ao risco.
A gestora administra cerca de R$ 600 bilhões na classe de crédito privado, o equivalente a cerca de 25% do mercado brasileiro. A estratégia foca em operações estruturadas e colocações privadas onde há maior proximidade com as empresas e análise de risco proprietária.
Ações de revisão do risco no mercado podem ser observadas com a queda de apetite de investidores. Ainda assim, Fayga Czerniakowski Delbem afirma que há operações com retornos acima do CDI em setores considerados atrativos, mesmo em um ambiente de juros elevados.
Segmentos estratégicos e qualidade de ativos
A Itaú Asset identifica academias e locadoras de veículos como apostas táticas, atraídas pelos preços atuais. Setores regulados, como energia e saneamento, aparecem como apostas estruturais pela previsibilidade de caixa.
Outra aposta está nos FIDCs de crédito estruturado, com foco em operações que permitem maior controle de risco. A gestora destaca que, globalmente, o prêmio de risco ainda persiste, porém compensa em determinados fundos.
Resgates e cenário de mercado
A empresa observa sinais de normalização na indústria de fundos de crédito privado, após saídas de resgates recentes. Dados da indústria apontam quedas de saídas em maio, próximas de R$ 12 bilhões, com peso em ativos de crédito corporativo.
Mesmo com o recuo, o fluxo de saques vem desacelerando desde abril, quando quase R$ 29 bilhões foram resgatados. Segundo Fayga, o mercado tem apresentado alívio gradual e recuperação de demanda por títulos de crédito.
Perspectivas e desempenho
A Itaú Asset reforça a prioridade por operações estruturadas e participação em fundos com gestão interna de risco. O Sinfonia, fundo com mandato amplo, teve rendimento de 144,91% do CDI em maio, elevando a participação estrutural do portfólio.
Especialistas apontam que o setor de crédito privado brasileiro ganha liquidez após ciclos de alta rentabilidade, mantendo-se resistente a momentos de maior aversão ao risco. A gestora destaca continuidade em setores com visibilidade de caixa e margens robustas.
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