- Paes desembarcou em Oxford, no Reino Unido, para uma palestra de cerca de uma hora sobre gestão pública para estudantes e pesquisadores.
- O ex-prefeito do Rio afirmou que a cidade vive crise política e institucional, afirmando que o governo atual foi tomado pelo “quinto escalão da máfia”, incluindo Claudio Castro.
- A crítica se ancora na decisão do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou busca e apreensão contra Castro e aliados, ligados a um empresário apontado como sonegador e coautor do crime organizado.
- Paes disse que o “sistema” era o verdadeiro dono do governo, não apenas o governador, e que houve omissão de Flávio Bolsonaro em relação ao ciclo político.
- O ex-governador defende um “choque de República” e diz que apoiará Lula; caso o candidato não se reeleja, pretende pactuar com outros nomes, sem defender o uso de Forças Armadas.
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, desembarcou em Oxford, no Reino Unido, neste sábado, para uma palestra sobre gestão pública com estudantes e pesquisadores. A volta ao Brasil ocorreu no fim da tarde, após pouco mais de uma hora de fala.
Durante a passagem entre a palestra e o carro de aplicativo, Paes avaliou a crise política no estado e criticou o cenário atual, citando a atuação de antigos integrantes do governo e da situação que ele chama de sistema político local.
A crítica central envolve o governo do ex-governador Claudio Castro e o que Paes descreve como uma falha estrutural que permitiu a infiltração de interesses ligados a organizações criminosas ligadas a empresários que teriam sonegação de impostos em nível nacional.
Contexto da crise
Paes afirma que a crise começou com as eleições de 2018, vendo o sistema político se travestir em torno de figuras como Wilson Witzel e, segundo ele, envolvendo o atual governador Castro. O ex-prefeito sustenta que o quinto escalão de uma máfia assumiu o governo, sem atribuir atribuições específicas a indivíduos isolados.
O ex-ministro Alexandre de Moraes autorizou, na sexta-feira anterior, operação de busca e apreensão contra Castro e aliados, sob investigação envolvendo um empresário apontado como grande sonecedor de impostos e ligação com o crime organizado, Ricardo Magro. Paes relaciona esse conjunto de ações a uma transição crítica do Rio.
Reações e posicionamentos
Paes, aliado de Lula, disse que fará campanha pela reeleição do atual presidente e elogiou ações anteriores do governo federal em relação ao estado. Sobre o papel de Flávio Bolsonaro no cenário, o ex-prefeito minimizou acusações, sugerindo omissões e apontando que o sistema, não apenas um governador, seria responsável pelo poder.
O ex-governador Claudio Castro negou ter atuado para beneficiar empresas ligadas ao crime organizado, afirmando ter agido com lisura em defesa do Estado. A oposição, por meio de Paes, reforça a necessidade de um pacto entre Judiciário, polícia e governo federal para enfrentar a crise.
Desdobramentos e planos
Paes relatou encontros com gestores de outros estados, como Paulo Hartung, para discutir um possível choque de República no Rio. A ideia envolve cooperação nacional com participação do Supremo, da Polícia Federal e do Executivo federal.
Ainda durante a visita, Paes indicou disposição para diálogo com diferentes lideranças, sinalizando que manterá atuação pública enquanto participa de eventos no exterior. A agenda de retorno ao Brasil incluiu voo de Londres, prevendo retorno antes de eventuais compromissos da pré-campanha.
Entre na conversa da comunidade