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ONG ligada a Dark Horse é investigada por contrato de R$103 milhões em SP

Polícia Civil investiga desvio de R$ 103,5 milhões em contrato de wi‑fi para comunidades de baixa renda em São Paulo; prefeitura nega irregularidades

Karina Ferreira Gama, produtora de 'Dark Horse' e dona do Instituto Conhecer Brasil
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  • A Prefeitura de São Paulo repassou ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) R$ 103,5 milhões para instalar pontos de wi-fi em comunidades de baixa renda, segundo o Portal da Transparência.
  • A Polícia Civil abriu inquérito em março de 2026 para investigar frustração de licitação, fraude contratual e emprego irregular de verbas; a prefeitura nega irregularidades.
  • O ICB subcontratou pelo menos sete empresas, com contratos que totalizam cerca de R$ 98 milhões; entre elas, Make One recebeu R$ 36 milhões e Complexys, R$ 8,6 milhões.
  • Em 2024 a instalação acelerou durante a campanha de reeleição de Nunes, chegando a 1.605 pontos ativos no segundo turno; dos 5.000 previstos, 3.200 foram instalados.
  • A prefeitura afirma que os pagamentos cobriram infraestrutura completa (hardware, obras e projetos) e que não houve relação com o filme Dark Horse; o ICB nega irregularidades e diz estar sendo extorquido por antigos fornecedores.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB) é alvo de apuração em São Paulo por suspeitas relacionadas ao contrato de instalação de pontos de wi-fi em comunidades de baixa renda. A Polícia Civil abriu inquérito em março de 2026 para investigar frustração de licitação, fraude contratual e uso irregular de verbas. A prefeitura nega irregularidades.

Segundo o Portal da Transparência, o repasse total da Prefeitura de São Paulo ao ICB soma 103,5 milhões de reais, distribuídos entre 2024, 2025 e 2026. Parte do montante foi destinada à instalação e manutenção de pontos de acesso à internet na capital paulista.

O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora executiva da cinebiografia Dark Horse sobre Jair Bolsonaro. A titularidade da Go UP Entertainment, produtora do filme, é citada nos relatos como vínculo de Gama com a obra. Ela nega irregularidades e afirma que as prestações de contas estão em dia.

Contratos e subcontratações

O serviço foi executado por meio de subcontratações que, somadas, chegam a pelo menos 98 milhões de reais. A reportagem identificou empresas como Make One, Complexys e Fast Future, apontadas como fornecedoras de equipamentos e serviços para o projeto. A denúncia aponta superfaturamento em alguns contratos.

A UltraIP Tecnologia, com atuação em Guaianases, processou o ICB em fevereiro de 2026, afirmando ter recebido 18,79 milhões de reais pelo fornecimento e manutenção de pontos entre julho de 2024 e agosto de 2025. A empresa sustenta que houve irregularidades e disputa valores.

A Make One teve contrato principal de aluguel de equipamentos no montante de 36 milhões de reais. O valor por ponto, calculado com base em 3.200 pontos instalados, seria superior ao preço de mercado, segundo as avaliações apresentadas nos autos.

Controvérsias e desdobramentos

Entre 2024 e 2025, a instalação dos pontos acelerou durante a campanha eleitoral de 2024, com 1.605 pontos ativos no segundo turno de outubro. Em julho e agosto de 2024, foram registrados repasses de 11 milhões para 3.200 pontos, ainda que apenas parte estivesse em operação.

A prefeitura afirma que o valor pago envolve não apenas o link de internet, mas toda a infraestrutura, incluindo hardware, obras civis, elétricas, mapeamento e projetos executivos. Alega que o contrato com uma organização da sociedade civil foi necessário pela natureza do serviço.

Posicionamento das partes

A prefeitura informou que os repasses seguiram o rito legal e garantiram a compra de equipamentos, mobilização de técnicos em campo e os requisitos de operação. Reiterou que não houve ligação com a produção de Dark Horse e descartou qualquer associação com o filme. A administração pública permanece neutra sobre o caso e enfatiza a continuidade da apuração.

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