- EUA e Irã assinaram um memorando para encerrar a guerra no Oriente Médio, após ataques de 28 de fevereiro.
- A assinatura ocorreu eletronicamente; o presidente dos EUA, Donald Trump, participou de evento com o presidente francês Emmanuel Macron, em Versalhes.
- O acordo prevê suspensão de sanções ao petróleo iraniano e, se houver acordo definitivo, retirada progressiva dessas sanções em até sessenta dias, com negociações sobre o urânio enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
- O Irã concorda em facilitar a passagem de navios no Estreito de Ormuz por sessenta dias, com remuneração debatida posteriormente, segundo o chefe do Ministério das Relações Exteriores do Irã; o governo iraniano afirma manter soberania sobre o estreito.
- O texto também prevê um fundo de 300 bilhões de dólares para reconstrução econômica do Irã, com participação de parceiros regionais; o G7 chamou o acordo de oportunidade histórica.
O governo dos Estados Unidos e o Irã confirmaram a assinatura de um memorando de entendimento para encerrar o conflito na região. O acordo, que tem como foco o fim das hostilidades desencadeadas em 28 de fevereiro, envolve mecanismos para diluir urânio enriquecido e avançar negociações futuras. A assinatura ocorreu após a cúpula do G7, em Versalhes.
Segundo a versão oficial dos EUA, o texto foi lido por um alto funcionário durante uma apresentação aos jornalistas. O governo americano afirma que a assinatura ocorreu de forma eletrônica, com Trump pessoalmente registrando a cópia do acordo durante um jantar com o presidente francês Emmanuel Macron. O Irã indicou que já havia assinado eletronicamente e que talvez não haja cerimônia neste fim de semana na Suíça.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, por meio do porta‑voz Esmaeil Baqaei, afirmou que o memorando de Islamabad foi finalizado com as assinaturas dos chefes de Estado. Ele ressaltou que não há necessidade de uma cerimônia oficial, mantendo o tom de cautela sobre o andamento do processo.
Memorando de entendimento
O acordo visa encerrar o conflito que se estendeu por conflitos regionais, incluindo ações no Líbano. O Hezbollah, grupo aliado ao Irã no Líbano, qualificou o memorando como uma vitória, destacando a participação do Líbano no texto. A imprensa local aponta que o confronto envolvendo o Hezbollah na região começou com ataques ao território israelense em apoio ao Irã.
As negociações manterão a discussão sobre o estreito de Ormuz, importante rota de comércio global. O texto prevê suspensão de sanções americanas à venda de petróleo iraniano e à atuação em portos iranianos a partir do momento da assinatura, com a suspensão permanente apenas se houver um acordo definitivo após negociações de 60 dias.
Durante esse período, o Irã poderá permitir o restabelecimento do tráfego marítimo no estreito, com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica para a gestão de urânio enriquecido. O Irã também afirma que poderá cobrar pedágio pela passagem, ainda que o texto mencione passagem segura sem cobrança por 60 dias.
Reações internacionais
A assinatura foi recebida com cautela pelo G7, que descreveu o momento como uma oportunidade histórica para evitar a disseminação de armas nucleares e conter atividades regionais e balísticas. Pequim ressaltou a necessidade de que as partes cumpram o acordo e evitem ingerências externas, destacando a importância da gestão do estreito.
O acordo envolve ainda um fundo de 300 bilhões de dólares, proposto pelos EUA para facilitar a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, sem participação financeira americana. O montante é apresentado como um passo para apoiar a estabilidade regional sem comprometer outras relações estratégicas.
O petróleo reagiu com alta inicial de cerca de 5% diante da perspectiva de mudanças no mapa de sanções, fechando o dia próximo de 80 dólares por barril, segundo o mercado. As informações indicam avanços diplomáticos, porém ainda precisam de confirmação prática nas negociações em curso.
Entre na conversa da comunidade