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13 anos dos protestos de 2013: por que a mobilização anticorrupção perdeu força

Treze anos após junho de 2013, a corrupção ainda provoca indignação, mas não gera mobilização de massa e o cenário político é de cansaço

Manifestação contra a corrupção em Curitiba, em junho de 2013. (Foto: Brunno Covello/Gazeta do Povo)
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  • Treze anos após os protestos de junho de 2013, o Brasil ainda enfrenta casos de corrupção, mas a mobilização nas ruas diminuiu.
  • Em março, pesquisa Datafolha indicou que 9% apontaram corrupção como principal problema, ficando atrás de segurança, saúde e economia.
  • Cientistas políticos atribuem a queda da pauta anticorrupção à decepção com a política, reversões judiciais, polarização e sensação de impotência, não ao fim da indignação.
  • O retorno de Lula ao poder, condenações anuladas na Lava Jato e o que alguns veem como “revertério” institucional contribuíram para o esgotamento da mobilização.
  • Mesmo assim, especialistas citam reservas de indignação moral que podem ressurgir em novas circunstâncias, mantendo a possibilidade de mobilizações futuras.

Treze anos após os protestos de junho de 2013, o Brasil vive novos escândalos de grande impacto, mas sem a mesma capacidade de mobilização nacional. A fraude bilionária no INSS, o caso Banco Master e a perda de confiança nas instituições de controle ajudaram a recolocar o tema na agenda, porém as ruas já não refletem o mesmo impulso de outrora.

Pesquisas indicam que a corrupção deixou de ser prioridade absoluta. Em março, a Datafolha mostrou que 9% dos brasileiros apontavam corrupção como principal problema, ficando atrás de segurança, saúde, economia e inflação. O dado revela mudança de percepção, não o esquecimento do tema.

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo destacam que a diminuição da mobilização não significa abandono da aversão à corrupção. A conjunção de decepção com a política, reversões judiciais, polarização e sensação de impotência explica o esvaziamento do movimento.

Para o pesquisador Christian Lohbauer, o sentimento dominante hoje é de impotência. Ele afirma que manifestações atuais não alcançam nem 10% da mobilização de 2013, mesmo com indignação em relação à corrupção.

O retorno de Lula ao poder é apontado como fator simbólico que modulou essa disposição. Segundo Lohbauer, a libertação e a posterior anulação de condenações na Lava Jato alimentaram a percepção de que o sistema político neutraliza parte da pressão popular.

A análise considera também o papel histórico da Lava Jato, do impeachment de Dilma Rousseff e da ascensão de Jair Bolsonaro. O conjunto de eventos moldou um ciclo que, após 2014, consolidou a ideia de que a mobilização de rua tem limites.

Origem e percurso dos protestos de 2013

As manifestações de 2013 não começaram pela corrupção, e sim pelo aumento das tarifas de transporte público, sobretudo em São Paulo. Em poucos dias, as ruas se espalharam pelo país, reunindo pautas diversas como serviços públicos, gastos com a Copa do Mundo e críticas à classe política.

O Congresso respondeu com a derrubada da PEC 37/2011, que ampliava o poder de investigação do Ministério Público. A derrota da PEC, por 430 a 9 na Câmara, foi interpretada como sinal de força social para recuar o programa político dominante.

Lohbauer associa o movimento de 2013 ao nascimento do Partido Novo, criado em 2011 em meio ao descontentamento com o cenário político. O partido figura na mesma faixa histórica de questionamento às velhas instituições.

A Lava Jato, anunciada em 2014, deu forma institucional à cobrança por ética pública, influenciando debates e políticas. O impeachment de Dilma em 2016 e a vitória de Bolsonaro em 2018 são vistos como desdobramentos desse ciclo de mobilização.

O que mudou desde então e o potencial de reação

Especialistas destacam que o arco mobilizador foi seguido por um “revertério” institucional. A soltura de condenados e decisões judiciais que anularam investigações contribuíram para a sensação de desalento entre os cidadãos.

O debate atual envolve ainda a avaliação de que o desgaste com o governo Lula pode acender novamente a indignação pública. Pesquisadores ressaltam que, mesmo diante de possibilidades de novas eleições, o cansaço social não é automático: parte da população permanece disposta a reagir a abusos.

Alguns apontam que reservas de indignação moral ainda existem entre segmentos da população politicamente ativa. Esses grupos podem reenergizar a mobilização sob condições apropriadas, ainda que não se repitam os moldes de 2013.

Esta reportagem integra a série Brasil Decente, que busca caminhos para restabelecer a função dos Três Poderes e a liberdade de expressão no país.

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