- Estudo da NYU, publicado na Journal of Neuroscience (JNeurosci), mostra que bilíngues usam a mesma rede cerebral para aplicar regras gramaticais em idiomas diferentes.
- Participaram 23 bilíngues fluentes em inglês e espanhol, com habilidades acima de 96% em espanhol e 98% em inglês.
- Usando magnetoencefalografia (MEG), os pesquisadores observaram que o processamento ocorreu em regiões frontais e temporais esquerda, logo após o comando, por volta de 100 milissegundos.
- Tests com palavras reais, cognatos, palavras sem semelhança e pseudopalavras indicaram que o efeito não depende apenas de semelhanças entre línguas, sugerindo uma regra gramatical abstrata e compartilhada.
- A pesquisa sugere integração entre línguas no cérebro e que o bilinguismo envolve redes neurais comuns, não departamentos separados para cada idioma.
O cérebro bilíngue utiliza a mesma engrenagem para regras gramaticais de idiomas diferentes, aponta estudo da NYU publicado na JNeurosci. Participantes bilíngues aplicaram regras de plural e conjugação sob comandos auditivos, sem depender de um “departamento” separado para cada língua.
Os pesquisadores recrutaram 23 falantes altamente proficientes em inglês e espanhol, com habilidades acima de 96% em espanhol e 98% em inglês. Durante o teste, a atividade cerebral foi monitorada por magnetoencefalografia (MEG), com registro em milissegundos.
Os voluntários viam palavras na tela e recebiam comandos sonoros para transformar ou manter a forma. O objetivo era identificar onde o cérebro aplica regras gramaticais de forma independente do idioma.
Núcleo do achado
A atividade ocorreu em rede frontal e temporal esquerda, associada ao processamento linguístico. Os padrões surgiram cerca de 100 milissegundos após o comando, e se repetiram independentemente do idioma utilizado.
Os pesquisadores fizeram testes com cognatos, palavras não parecidas e pseudopalavras para verificar se o efeito dependia apenas de similaridades entre idiomas. O mecanismo gramatical apareceu mesmo com termos inventados.
Implicações para o bilinguismo
O estudo sugere que regras gramaticais são aplicadas por uma arquitetura comum, o que favorece a compreensão de como bilíngues processam várias línguas sem um acervo separado para cada idioma.
De acordo com a pesquisadora Esti Blanco-Elorrieta, os resultados indicam integração profunda entre línguas no cérebro, fortalecendo a ideia de uma rede compartilhada para diferentes sistemas gramaticais.
Perspectivas e limitações
A pesquisa testou inglês e espanhol, que apresentam semelhanças na formação de plurais. Os autores destacam a necessidade de estudos com línguas estruturalmente distintas para confirmar se o compartilhamento ocorre de forma generalizada.
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