- A campanha de Flávio Bolsonaro no Nordeste enfrenta resistência de lideranças locais, mesmo com alianças do PL na região.
- Pesquisas mostram Lula com vantagem expressiva no Nordeste, tornando arranjos regionais menos receptivos ao palanque bolsonarista.
- No Ceará, Ciro Gomes disputa a liderança para o governo em aliança com PL e União Brasil, complicando o apoio a Flávio.
- Pernambuco aponta afastamento do PL do governo, com Raquel Lyra buscando parceria com Lula; ao mesmo tempo, o PL mira deputados e Senado, sem palanque forte para Flávio.
- Na Paraíba, o PL constrói palanque estruturado com Efraim Filho ao governo e Marcelo Queiroga ao Senado, enquanto em estados como Piauí, Bahia e Maranhão o cenário é menos favorável ao bolsonarismo.
O PL de Flávio Bolsonaro enfrenta resistência para transformar alianças em palanques no Nordeste. A candidatura enfrenta dificuldade para engajar lideranças locais, que dominam o apoio a Lula na região. A estratégia envolve alianças com partidos, mas ainda não gerou cabos eleitorais fiéis.
Análise de cientistas políticos aponta que apoiar Flávio no Nordeste é visto como custo político alto. Em 2022, Lula venceu em todos os estados da região, com 69,3% dos votos. A ausência de compromisso explícito dificulta a mobilização pró-Bolsonaro.
O momento atual mostra que o PL tem construído ligações estratégicas, porém enfrenta barreiras para converter essas relações em atuação decisiva de apoio durante a campanha. O panorama nacional também influencia o ritmo local.
Panos de fundo e cenário nacional
A Quaest, em pesquisa de junho, aponta o Nordeste como a região com maior vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno. Em todo o Brasil, Lula tem 39% vs 29% de Flávio no primeiro turno; no Nordeste, 54% a 25%.
No segundo turno nacional, Lula aparece com 44% e Flávio com 38%; no Nordeste, Lula atinge 61% contra 27%. A tendência vem desde fevereiro, quando o cenário começou a ser testado.
Ceará e o desafio do apoio regional
Ciro Gomes, do PSDB, lidera as pesquisas para o governo do Ceará em aliança com o PL e o União Brasil. Em abril, a Quaest mostrou Ciro com 46% em eventual segundo turno contra Elmano de Freitas (PT), com o adversário em 35%.
Antes de confirmar a pré-candidatura, Ciro questionou publicamente a ideia de apoiar Flávio. Como pré-candidato, ele defende que partidos mantenham liberdade para posições distintas na disputa presidencial.
A aproximação do PL com Ciro gerou atrito interno, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticando a aliança. A disputa interna interrompeu negociações momentaneamente.
Fortaleza do Ceará e dados da chapa
A chapa de Ciro Gomes para o Ceará terá o ex-prefeito Roberto Cláudio como vice e, para o Senado, as pré-candidaturas são de Capitão Wagner e Alcides Fernandes. Alcides é pai do deputado André Fernandes, ligado ao PL.
André Fernandes afirmou que o apoio de Ciro a Lula tende a reduzir o voto no PT no Ceará, o que, segundo ele, pode abrir espaço para o crescimento de Flávio Bolsonaro. Monalisa Torres aponta que Alcides pode viabilizar palanque para Flávio.
Desempenho do PL em Pernambuco e demais estados
Em Pernambuco, Raquel Lyra, governadora eleita com apoio do PL, se distancia do partido. Pesquisas indicam liderança de Lyra com 51% contra 44% de João Campos (PSB). Lyra busca manter relação com Lula e evitar palanques bolsonaristas fortes.
O PL pernambucano afirma foco em eleger deputados e mantém diálogo com lideranças locais. O diretor estadual reitera que a legenda pode apresentar nomes ao governo, Senado e ampliar a bancada.
Paraíba tem palanque estruturado, mas não é unânime
Na Paraíba, o PL tem palanque estruturado com a pré-candidatura de Efraim Filho a governador e Marcelo Queiroga ao Senado. Efraim trocou o União Brasil pelo PL em março, fortalecendo a presença do partido na região.
Analistas destacam que a visita de Flávio Bolsonaro à Paraíba procurou nacionalizar a disputa estadual. Ainda assim, o ambiente eleitoral permanece favorável a Lula, com muitos aliados priorizando eleições estaduais.
Cenário no Piauí, Bahia e Maranhão
No Piauí, Bahia e Maranhão, estados onde Lula teve vitórias expressivas em 2022, o PL enfrenta dificuldades. Ganhador local da eleição no Piauí é o governador Rafael Fonteles (PT), com vantagem ampla nas pesquisas.
Em Salvador, Bahia, o PL tenta articular palanque com ACM Neto, mas o cenário é desafiador. Em geral, a liderança local aponta para manter o foco em eleições estaduais, dificultando apoio firme a Flávio.
Rio Grande do Norte e Sergipe
No Rio Grande do Norte, o PL ampliou presença com a filiação de Álvaro Dias, ex-Republicanos, ao lado de Flávio. Contudo, a consolidação de alianças permanece incompleta, e temas locais podem dominar a campanha estadual.
Em Sergipe, houve saída de lideranças do PL para o Republicanos após a montagem de comando estadual. Pesquisadores lembram que a fragmentação da oposição favorece alianças regionais de outros grupos.
Situação em Alagoas e atualidades no RN
Em Alagoas, o PL perdeu forças após a saída de JHC para o PSDB. O principal nome em torno de Flávio é o deputado Alfredo Gaspar, que afirma trabalhar para apresentar uma candidatura competitiva ao Senado e fortalecer a bancada.
No Rio Grande do Norte, o PL mantém apoio à candidatura de Álvaro Dias ao governo, com Babá Pereira no polo de vice e Hélio como possível nome para o Senado. A coordenação da campanha nacional fica com Rogério Marinho, mas a eleição estadual tende a privilegiar temas locais.
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