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Guerra traz morte e exílio para os Jiw e Nukak na Amazônia colombiana

Conflitos entre facções dissidentes na Guaviare provocam quarenta e oito mortes, entre elas menores, e forçam deslocamento de povos Jiw e Nukak

The Tomachipán-Cumare road is an illegal trail used by dissidents as a strategic corridor. It has become an epicenter of violence. Image by Juan Carlos Contreras.
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  • Confrontos entre dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), liderados por Calarcá, e pelo comando de Iván Mordisco, em San José del Guaviare, deixaram quarenta e oito mortos.
  • A violência concentra-se na região de Barranco Colorado, estratégica para atividades de tráfico de drogas, extorsão e outras economias ilícitas, ao longo do rio Guaviare.
  • O Tomachipán-Cumare é um trilho ilegal de cerca de 47,5 quilômetros usado para deslocar coca, armas e explosivos entre áreas fronteiriças.
  • Doze famílias Jiw e Nukak foram deslocadas ou buscaram abrigo, com deslocamentos ocorrendo especialmente a partir de Mapiripán e Barranco Colorado.
  • Em dezenove de maio, as autoridades criaram um corredor humanitário para traslado de corpos de vítimas e apoio a eventuais desplacemntos, com participação de autoridades civis e organismos internacionais.

Desde o fim de maio, áreas rurais de San José del Guaviare, na Amazônia colombiana, voltaram a registrar confrontos entre dissidentes das FARC. O combate envolve os grupos liderados por Calarcá e Mordisco, e já deixou ao menos 48 mortos. O foco é uma região estratégica associada a atividades ilícitas ao longo do rio Guaviare.

As ações ocorrem na área de Barranco Colorado, a 140 km da zona urbana, onde disputas sobre tráfico, extorsão e outras economias ilegais alimentam o conflito. A violência afeta principalmente comunidades rurais, incluindo aldeias Nukak e Jiw.

Deslocamento e impacto humano

Familias do povo Jiw chegaram à zona urbana de San José del Guaviare no dia 27 de maio, vindas do município de Mapiripán, Meta. Aproximadamente 10 famílias buscaram abrigo após cruzar o rio Guaviare, segundo autoridades locais. Outras comunidades indígenas permanecem confinadas.

Indígenas Nukak e Jiw relatam dificuldades para manter a mobilidade e evitar o fogo cruzado. A situação humanitária preocupa autoridades, que temem novos deslocamentos e riscos para crianças e idosos.

Contexto estratégico e rotas

O conflito envolve uma via conhecida como Tomachipán-Cumare, que liga áreas indígenas ao Barranco Colorado. Observadores apontam que o traçado facilita o transporte de coca, armas e explosivos, ligando pistas clandestinas a rios estratégicos.

Analistas destacam que controlar esse corredor permite acesso a regiões próximas a fronteiras e favorece a atuação de milícias em áreas de mineração, pecuária e produção ilícita. Os embates também visam consolidar domínio sobre trajetos que conectam vários rios.

Resposta do governo e vias de assistência

No dia 28 de maio, o Exército informou que ativou uma rota social para o translado dos corpos dos 48 mortos a um ponto acordado com autoridades civis e organizações humanitárias. As forças também afirmaram manter operações para proteção da população civil.

Fontes oficiais, que pediram anonimato, informaram que houve coordenação entre prefeitura, Defensoria da Nação, missão da OEA, ONU e CICR para estabelecer corredor humanitário. Os corpos chegaram às 6h de 29 de maio.

Situação das comunidades indígenas

Desde 2024, conflitos em Guaviare elevaram o risco de deslocamento e restrições de liberdade de circulação para os Nukak e Jiw. A Suprema Corte destacou que essas comunidades estão entre as identificadas como em risco de desaparecimento físico e cultural.

O prefeito de San José del Guaviare afirmou que o município busca apoio do governo nacional para enfrentar a crise humanitária. O governo municipal sinaliza que a capacidade de resposta já está sobrecarregada.

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