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Polícia realiza patrulha em quintal de residência

Trump acelera a militarização da América Latina com acordos bilaterais, bases e cooperação de segurança, ampliando a presença norte‑americana na região

O “Escudo das Américas” submete os participantes à ingerência da Casa Branca. Humire (acima) não esconde os planos de Washington para a região – Imagem: Daniel Torok/Casa Branca Oficial e William Platt/Exército dos EUA
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  • Em dezessete meses no poder, o presidente dos EUA pressionou acordos bilaterais com dezessete países da América Latina para ampliar alianças militares, uso do espaço aéreo, bases, imunidade para tropas e troca de informações.
  • A ofensiva integra a Estratégia de Defesa Nacional, publicada no fim de dois mil vinte e cinco, com o Escudo das Américas anunciado em março, visto por alguns como “Otan das Américas”.
  • Honduras autorizou atuação de forças militares dos EUA; Guatemala aceitou ações conjuntas, com possível uso de ataques aéreos, e Chile assinou pactos de segurança e cooperação em minerais críticos.
  • O objetivo declarado é combater o narcotráfico, mas a lógica envolve conter a influência da China, Rússia e Irã na região, expandindo acesso, bases e sobrevoos.
  • Críticos apontam que a luta contra as drogas serve de pretexto para ampliar a presença norte‑americana, levantando debates sobre soberania e jurisdição na região.

Ao longo de 17 meses no poder, o governo de Donald Trump avança com acordos bilaterais para ampliar a presença militar na América Latina. Países do subcontinente assinam cooperação em segurança, uso do espaço aéreo, bases militares e intercâmbio de informações. A justificativa formal é o combate ao narcotráfico, mas há leitura de reconfiguração estratégica regional.

O objetivo declarado é endurecer a defesa na região, com foco em fronteiras, infraestrutura crítica e cooperação antinapálogo. O governo americano descreve compromissos com diversos parceiros para ampliar acesso, sobrevoos e bases, sob um guarda-chuva de segurança regional.

A ofensiva diplomática ganhou impulso a partir de março de 2026, com a criação do Escudo das Américas, visto por alguns como a expressão de uma “OTAN das Américas”. A iniciativa envolve governos de direita na região, alinhados à estratégia de Washington.

Avanços e países-chave

Em março, o vice-secretário do Departamento de Guerra citou compromissos com Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O objetivo é cooperação em fronteiras, narcoterrorismo e proteção de ativos.

Honduras seria um dos próximos passos, após eleição de Tito Asfura. O país autorizou atuação de forças dos EUA e discutiu plano bilateral de combate ao crime transnacional. A aprovação de uma lei que classifica cartéis como terroristas também recebeu elogios de Washington.

Guatemala já autorizou ações conjuntas com as forças armadas dos EUA, com ataques aéreos no horizonte. O presidente Bernardo Arévalo confirmou a cooperação em operações contra organizações de narcotráfico, em ligação com o secretário de Guerra dos EUA. As ações podem ocorrer já no próximo mês.

Expansão regional e objetivos

Segundo a imprensa internacional, o objetivo é pressionar o México a aderir a operações conjuntas, o que tem encontrado resistência da presidente mexicana. A região também observa aproximação militar com o Chile, com acordos para cooperação na exploração de minerais críticos e segurança.

Paraguai assinou acordo que transforma o Brasil em extensão dos EUA, com base militar próxima a Assunção e livres de leis paraguaias para os militares norte-americanos. Argentina sinalizou acordo para patrulhamento do Atlântico Sul com cooperação de Portugal a outros parceiros.

A narrativa oficial sustenta que as ações visam conter a influência de potências como China, Rússia e Irã na região. Observadores apontam uma reconfiguração da presença norte‑americana conforme a disputa regional pelo domínio estratégico.

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