- Em dezessete meses no poder, o presidente dos EUA pressionou acordos bilaterais com dezessete países da América Latina para ampliar alianças militares, uso do espaço aéreo, bases, imunidade para tropas e troca de informações.
- A ofensiva integra a Estratégia de Defesa Nacional, publicada no fim de dois mil vinte e cinco, com o Escudo das Américas anunciado em março, visto por alguns como “Otan das Américas”.
- Honduras autorizou atuação de forças militares dos EUA; Guatemala aceitou ações conjuntas, com possível uso de ataques aéreos, e Chile assinou pactos de segurança e cooperação em minerais críticos.
- O objetivo declarado é combater o narcotráfico, mas a lógica envolve conter a influência da China, Rússia e Irã na região, expandindo acesso, bases e sobrevoos.
- Críticos apontam que a luta contra as drogas serve de pretexto para ampliar a presença norte‑americana, levantando debates sobre soberania e jurisdição na região.
Ao longo de 17 meses no poder, o governo de Donald Trump avança com acordos bilaterais para ampliar a presença militar na América Latina. Países do subcontinente assinam cooperação em segurança, uso do espaço aéreo, bases militares e intercâmbio de informações. A justificativa formal é o combate ao narcotráfico, mas há leitura de reconfiguração estratégica regional.
O objetivo declarado é endurecer a defesa na região, com foco em fronteiras, infraestrutura crítica e cooperação antinapálogo. O governo americano descreve compromissos com diversos parceiros para ampliar acesso, sobrevoos e bases, sob um guarda-chuva de segurança regional.
A ofensiva diplomática ganhou impulso a partir de março de 2026, com a criação do Escudo das Américas, visto por alguns como a expressão de uma “OTAN das Américas”. A iniciativa envolve governos de direita na região, alinhados à estratégia de Washington.
Avanços e países-chave
Em março, o vice-secretário do Departamento de Guerra citou compromissos com Argentina, Bahamas, Belize, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Jamaica, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. O objetivo é cooperação em fronteiras, narcoterrorismo e proteção de ativos.
Honduras seria um dos próximos passos, após eleição de Tito Asfura. O país autorizou atuação de forças dos EUA e discutiu plano bilateral de combate ao crime transnacional. A aprovação de uma lei que classifica cartéis como terroristas também recebeu elogios de Washington.
Guatemala já autorizou ações conjuntas com as forças armadas dos EUA, com ataques aéreos no horizonte. O presidente Bernardo Arévalo confirmou a cooperação em operações contra organizações de narcotráfico, em ligação com o secretário de Guerra dos EUA. As ações podem ocorrer já no próximo mês.
Expansão regional e objetivos
Segundo a imprensa internacional, o objetivo é pressionar o México a aderir a operações conjuntas, o que tem encontrado resistência da presidente mexicana. A região também observa aproximação militar com o Chile, com acordos para cooperação na exploração de minerais críticos e segurança.
Paraguai assinou acordo que transforma o Brasil em extensão dos EUA, com base militar próxima a Assunção e livres de leis paraguaias para os militares norte-americanos. Argentina sinalizou acordo para patrulhamento do Atlântico Sul com cooperação de Portugal a outros parceiros.
A narrativa oficial sustenta que as ações visam conter a influência de potências como China, Rússia e Irã na região. Observadores apontam uma reconfiguração da presença norte‑americana conforme a disputa regional pelo domínio estratégico.
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