- Ben Rhodes, ex-assessor de comunicação de Barack Obama, lançou o livro All We Say, compiling 15 discursos que moldaram a identidade americana.
- Ele afirma que os democratas perderam em 2024 por não apresentarem uma narrativa própria, deixando espaço para que Donald Trump se apresentasse como insurgente.
- O ex-assessor projeta que as eleições de 2028 devem ser ainda mais extremas e polarizadas, com desfechos que envolvem corrosão institucional e possíveis guerras.
- Vê surgimento de uma nova geração de democratas — como Ossoff, Ocasio-Cortez, Talarico e Mamdani — que contam histórias, conectam temas amplos a situações concretas e se apresentam como outsiders.
- A recomendação é que o partido priorize a construção de uma história e de uma visão de futuro antes das propostas políticas, para enfrentar a percepção de status quo e a fragmentação do eleitorado.
Ben Rhodes, ex-diretor de comunicações estratégicas do Conselho Nacional de Segurança durante a gestão Obama, afirma que os Estados Unidos em 2028 serão ainda mais extremos e polarizados. A constatação aparece no livro All We Say, que reúne quinze discursos marcantes da história americana. Rhodes lançou o livro durante uma turnê de apresentação em Washington, acompanhado de um podcast e atividades em veículos europeus.
O autor analisa como a narrativa política molda o consenso nacional. Em entrevista publicada, ele sustenta que os democratas perderam o fio narrativo em 2024, ao não apresentar uma visão clara frente ao crescimento do discurso de Trump. O ex-assessor aponta que o atual ecossistema político depende fortemente de mensagens persistentes.
Rhodes afirma que o uso estratégico de discursos foi essencial para Obama conquistar apoio. Segundo ele, a ausência de uma história sólida prejudicou os democratas, abrindo espaço para a ideia de que o partido representa o sistema. O debate se amplia para o impacto da comunicação na governabilidade.
A identidade americana e o papel dos discursos
Rhodes sustenta que, diferentemente de muitos países, os EUA não possuem uma identidade única. Discursos históricos ajudam a responder o que significa ser americano, especialmente diante de uma sociedade diversa. A exemplificação passa por momentos-chave da história, como Gettysburg e o discurso de Martin Luther King.
Desafios atuais da comunicação política
O ex-assessor diz que o cenário contemporâneo demanda narrativas que conectem temas abstratos a situações concretas. Ele cita a ascensão de jovens políticos que articulam um outsider status com motivações pessoais, buscando esclarecer o porquê da candidatura.
Perspectivas para 2028
Rhodes prevê uma eleição mais áspera, com um país ainda lidando com guerra e inflação. Ele avalia que a corrida deve privilegiar mensagens sobre mudança de sistema, sem necessariamente exibir promessas radicais, mas com uma visão clara de futuro.
Caminhos sugeridos ao espectro democrata
Segundo o autor, a prioridade é definir a história antes das políticas. Um relato convincente facilitaria a explicação de propostas e metas, orientando a comunicação em torno de uma identidade e de uma estratégia compartilhadas.
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