- Em a cúpula Africa Forward, realizada em Nairobi com a participação de 35 países, foi debatida a evolução das relações entre França e África e os caminhos para o futuro.
- A ministra Éléonore Caroit afirma que França continua sendo uma parceira importante no continente, sendo quinto maior investidor estrangeiro na região, com presença relevante em África Ocidental, apesar de Sahel ter três países governados por juntas militares sem participação francesa.
- Ela ressalta a necessidade de diversificar parceiros e reforçar a cooperação, combatendo a desinformação e a injerência da Rússia, ao mesmo tempo em que destaca atuação de China e outros países no desenvolvimento.
- O governo francês defende reformular a arquitetura de desenvolvimento para evitar fragmentação, buscar projetos com maior impacto e manter diálogo equilibrado com África, reconhecendo dívidas históricas e promovendo restituição de obras de arte.
- Em relação a assuntos internacionais, Caroit comenta descentralização na França, avanços na Nova Caledônia e prioridades do G-7 em Evian, incluindo reformas na arquitetura de financiamento ao desenvolvimento e maior mobilização de recursos.
Éléonore Caroit, ministra delegada para a Francofonia, afirmou que a Rússia utiliza desinformação e injerência para ganhar espaço político na África. Em Nairobi, participou da Africa Forward, encontro que reuniu 35 países africanos e franceses.
Ao retornar a Paris, Caroit recebeu o EL PAÍS em seu gabinete para falar sobre o balanço da cúpula e os próximos passos. Ela disse que a reunião, a primeira em solo anglófono desde 1973, sinaliza uma reflexão sobre a relação da França com o continente.
A ministra destacou que, apesar de manter influência em várias frentes, França busca reformular sua presença africana. O objetivo é ampliar parcerias com Europa e realinhar estratégias para ampliar o impacto de projetos de desenvolvimento.
Rússia, China e Europa na África
Caroit afirmou que a Rússia atua com desinformação e desestabilização, diferentemente de China e outros parceiros, que trabalham com foco no desenvolvimento. Ela reconheceu o papel de investimentos e parcerias estratégicas variados, sem exclusividade.
Ela reforçou que a França continua como investidor relevante no continente e citou casos de cooperação em Benim e no Sahel, onde a presença francesa permanece importante apesar de mudanças regionais. O governo afirma que está presente por interesse próprio e regional.
Segundo a ministra, a necessidade é evitar fragmentação da atuação europeia. A ideia é executar projetos com maior impacto, somando forças entre Estados-membros e parceiros africanos, sem multiplicar interlocutores.
Caroit também tratou de temas como Argelia, Nova Caledônia e Caribe, ressaltando que as relações seguem com esforços de apaziguamento. Ela citou avanços na cooperação judicial com o governo argelino e a importância de respeitar vontades locais.
Sobre o papel da França no G-7, a ministra apontou que a reunião busca alinhar financiamento ao desenvolvimento, ampliar recursos domésticos e facilitar remessas. O objetivo é reduzir a fragmentação e aumentar a eficácia das ações internacionais.
Entre na conversa da comunidade