- Em eleições na Escócia, todos os principais partidos prometem reduzir as contas de energia de alguma forma, com medidas que vão desde isolamento de casas até criação de um novo mercado de energia.
- A maior parte dos poderes sobre energia fica com Westminster; o Ofgem define o teto de preços, revisado a cada três meses.
- Propostas de precificação zonal foram descartadas pelo governo do Reino Unido, e o preço diário é, na prática, determinado pelo maior lance entre os fornecedores, geralmente gas.
- Há fundos como ScotWind que alguns partidos sugerem usar para devolver dinheiro às famílias, mas há dúvidas sobre flexibilidade orçamentária e impacto em serviços públicos.
- Com foco em energias renováveis e eficiência, diferentes formações defendem reformas (inserção de renováveis, isolamento, modificação no market) com prazos longos e incertezas sobre efeitos imediatos nas faturas.
A campanha pelo Parlamento da Escócia está centrada em promessas de reduzir as tarifas de energia doméstica, em meio a pressões econômicas globais decorrentes de conflitos internacionais. Todos os principais partidos prometem algum alívio, com propostas que vão desde melhorias na isolação de casas até a criação de um novo mercado de energia.
O debate gira em torno de quão viáveis são essas promessas, já que grande parte das decisões sobre preços está sob controle de Westminster e os custos seguem influências de mercados internacionais. A BBC Verify examina se as propostas podem realmente ser implementadas.
Como os preços de energia são formados
A Escócia participa de uma rede elétrica britânica única, com geração variando entre gás, nuclear e renováveis. As faturas dependem da geração no momento e dos custos de transmissão até o consumidor.
A transmissão tem custo maior em áreas do norte, pois a energia percorre distâncias maiores até os grandes centros do sul da Inglaterra. Mesmo assim, a Escócia gera mais renováveis do que consome.
Em 2024, o consumo na Escócia foi de 26,8 TWh, enquanto a geração total de renováveis atingiu 38,3 TWh. O gás continua dominando o mercado elétrico britânico, do qual a Escócia faz parte.
Propostas já apresentadas para reduzir tarifas incluem preços de dia seguinte que, segundo o governo, devem ser mais estáveis com a deslocação de investimentos para fontes renováveis. Um modelo de precificação diferente, defendido por alguns, não foi adotado pelo governo britânico.
Estudos indicam que, em 2024, o preço de day-ahead caiu cerca de 25% por grande atuação de parques eólicos, e quase um terço em 2025, com a redução prevista à medida que novas fontes renováveis entram no sistema.
Investir mais em geração renovável e ampliar a rede de transmissão pode, com o tempo, reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O governo trabalha para desvincular o preço ao gás por meio de contratos de diferença, assegurando um preço fixo para parte da geração.
As limitações de competências de Holyrood
A maioria das funções estratégicas sobre energia está em Westminster, o que impede o parlamento escocês de legislar sobre preços. A Ofgem determina o teto de tarifas, ajustado trimestralmente, mantendo certa estabilidade.
Entre 2020 e 2023 houve pico relacionado à invasão russa da Ucrânia, mas o teto permaneceu relativamente estável desde então. Houve também a garantia de preço de energia, mecanismo integralmente atribuído ao governo britânico.
Within this framework, Holyrood pode oferecer apoios sociais direcionados, como pagamentos de inverno para grupos específicos. Propostas incluem usar fundos do ScotWind para devolver recursos aos lares, uma ideia que divide opiniões entre partidos.
Para além disso, o controle sobre petróleo e gás permanece em Westminster, com licenças, regulação e impostos como o Energy Profits Levy sob soberania britânica. Ainda assim, propostas no âmbito de North Sea são frequentemente discutidas pelos atores políticos escoceses.
Caminhos para o controle de custos dentro de Holyrood
O poder de Holyrood mais significativo está em renováveis, com grandes projetos submetidos à aprovação local, como Berwick Bank. Projetos menores ficam a cargo das autoridades locais. A energia eólica domina, respondendo por boa parte da geração de renováveis.
Partidos em campanha defendem investimentos em renováveis e eficiência energética para reduzir custos. Os Greens falam em uma revolução de renováveis com investimentos bilionários, enquanto o Libera Liberal Democrata aposta em ampliar a solar. A Fraser of Allander Institute aponta que metas são ambiciosas e dependem de infraestrutura.
A prática atual também restringe a transição para aquecimento sem combustíveis fósseis. Planos de retrofit energético e aquecimento com bombas de calor exigiriam mudanças de infraestrutura de alto custo, além de ajustes políticos.
Quão realistas são as promessas de redução?
Muitos propósitos de queda nas tarifas dependem de infraestrutura nova, de mudanças de mercado ou de um referendo que leve à independência. Em cenários de curto prazo, mudanças no custo da energia são difíceis de prever após eventos internacionais.
Análises alertam para orçamentos de Holyrood, que devem permanecer restritos nos próximos anos, o que dificulta grandes programas. Ainda assim, há ações possíveis dentro das competências disponíveis, ainda que não rápidas ou fáceis.
Resumo objetivo
O cenário atual mostra promessas de redução de tarifas com foco em eficiência, renováveis e ajustes institucionais. Contudo, grande parte de medidas estruturais depende de Westminster e de condições de mercado externas, o que complica prazos e resultados.
A cobertura continua acompanhando as propostas, seus impactos potenciais e as mudanças regulatórias que podem influenciar o custo da energia para os lares escoceses.
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