- O governo do Reino Unido propõe que broadcasters tradicionais tenham mais visibilidade em YouTube e TikTok, com regras específicas em tempos de crise.
- BBC, ITV e Channel 4 teriam conteúdo promovido pelos algoritmos das plataformas; possibilidade de legislação caso não haja acordo com as empresas.
- A consulta pública sinaliza que também pode haver maior proeminência de jornais locais e nacionais, considerados provedores confiáveis.
- Críticos, incluindo plataformas e criadores, dizem que a medida pode distorcer o ecossistema de conteúdo e prejudicar usuários e a diversidade de informações.
- A proposta também aborda direitos de transmissão de grandes eventos esportivos no streaming e considera desligar o sinal terrestre em favor da TV pela internet, possível já em 2034, com eventual atraso para 2044.
A Inglaterra planeja dar maior visibilidade a veículos de mídia estabelecidos em plataformas digitais como YouTube e TikTok. A medida busca reduzir a propagação de desinformação, considerada uma ameaça para a democracia.
O governo apresentou propostas que obrigariam conteúdos de emissoras públicas como BBC, ITV e Channel 4 a receber promoção adicional nos algoritmos das plataformas, com regras especiais em períodos de crise social.
A iniciativa faz parte de uma ofensiva dos veículos públicos para evitar que conteúdos menos confiáveis ditem o ritmo informativo, destacando a importância de sustentar a “fabricação social” do país e a diversidade de fontes.
O ministro da mídia, Ian Murray, afirmou que as grandes plataformas devem colaborar para instituir as novas regras de visibilidade, admitindo uso de legislação caso necessário. A estratégia coloca a tecnologia no centro da disputa regulatória.
A consulta governamental, divulgada nesta terça-feira, sinaliza ainda que a promoção de notícias pode se estender a jornais locais e nacionais, sob a etiqueta de fornecedores confiáveis. A definição de confiabilidade deve ser debatida entre diversas partes.
Representantes da indústria de mídia expressaram cautela. O setor teme impacto na diversidade de conteúdo e a distorção do ecossistema de criadores, caso o governo imponha escolhas editoriais às plataformas.
Especialistas do setor de criadores de conteúdo ressaltam que a decisão pode privilegiar conteúdo institucional em detrimento do interesse público e da agência dos espectadores, segundo análises associadas à indústria.
O debate ocorre em meio a dados que indicam crescente alcance de notícias por meio de plataformas digitais, com mudanças no consumo de mídia favorecendo conteúdos online em detrimento de sites de notícia tradicionais.
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