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Saberes tradicionais guiam projeto premiado em escola rural

Escola do campo transforma quintais em salas abertas, valoriza saberes tradicionais e fortalece vínculos comunitários após prêmio

Projeto “Salas Abertas: Reconectar com a Natureza”. Foto: Lopes/Instituto Motiva
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  • Escola Municipal do Campo Profª Andréa Ferraz de Oliveira, em Itararé, ganhou o Prêmio Escolas Baseadas na Natureza com o projeto Salas Abertas: Reconectar com a Natureza, ampliando aulas ao ar livre.
  • O projeto valoriza saberes tradicionais, resgata memórias de Dona Eusa Rodrigues Pereira, cozinheira antiga da escola, e envolve a comunidade quilombola Fazenda Silvério, com a Casa de Sementes Eusa Rodrigues Pereira.
  • Berçário das Plantas reúne horta, pomar e casa de sementes, usando técnicas da comunidade quilombola, com foco em alimentação saudável.
  • Canto da Calma, jardim e espaço de leitura, funciona como biblioteca ligada a um redário, promovendo regulação emocional e leitura ao ar livre.
  • A edição 2026 do prêmio está com inscrições até 29 de junho; cinco escolas receberão 100 mil cada, com acompanhamento técnico; incentivo promovido pelo Instituto Motiva, em parceria com Instituto Alana e Instituto Crescer.

A Escola Municipal do Campo Profª Andréa Ferraz de Oliveira, em Itararé, interior de São Paulo, transformou quintais e áreas verdes em espaços de aprendizagem. O projeto Salas Abertas: Reconectar com a Natureza ampliou aulas para além da sala, valorizando saberes tradicionais e fortalecendo vínculos com a comunidade.

A iniciativa resgatou memórias locais e estimulou práticas para melhorar a qualidade de vida no território. A professora Dynná Ferraz destacou a participação de Eusa Rodrigues Pereira, moradora da comunidade que trabalhou como cozinheira na escola por mais de 30 anos, como elo entre saberes tradicionais e as novas gerações.

Dona Eusa trouxe a prática da semente crioula, tema incorporado pela escola. A ideia é repensar a produção de alimentos e a segurança alimentar, segundo a equipe docente, condição relevante para o projeto.

Entre as inovações, o Berçário das Plantas reúne horta, pomar e casa de sementes, com técnicas da comunidade quilombola da região. A parceria com a Comunidade Quilombola Fazenda Silvério envolve o líder conhecido como Tio Darci, que ajudou a construir a casa barreada, agora chamada Casa de Sementes Eusa Rodrigues Pereira.

A casa, construída com participação de estudantes, funciona como espaço de pesquisa para as crianças. No Berçário, há um pomar atrás da casinha barreada, com um fogão a lenha, áreas para experimentação prática e atividades que promovem alimentação saudável.

Outro espaço do projeto é o Canto da Calma, um jardim que funciona como biblioteca com redário. O local serve para regulação emocional e leitura ao ar livre, fortalecendo o vínculo com a natureza.

As aulas passaram a ser mais práticas e as atividades fora da sala ficaram mais frequentes. A escola criou também um laboratório para investigação, onde alunos comparam canteiros com diferentes técnicas de manejo do solo e definem práticas de defensivos orgânicos.

A educadora ressalta que o prêmio contribuiu para reorganizar espaços em salas de aula abertas, ampliando o currículo e estimulando intervenções no território. A equipe entende que as mudanças fortalecem o aprendizado e o vínculo com a comunidade.

Nova edição do prêmio está com inscrições abertas até 29 de junho. Serão cinco escolas contempladas com R$ 100 mil cada, além de acompanhamento técnico em arquitetura e educação. As candidaturas devem ser feitas pelo site do Programa.

O Instituto Motiva promove o prêmio, com apoio técnico do Instituto Alana e do Instituto Crescer. A ideia é fortalecer práticas pedagógicas que integrem a natureza ao processo educativo nas escolas públicas municipais em 255 municípios de 13 estados.

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