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Uma década após o Brexit: impacto no mercado de arte britânico

Década após o Brexit, o mercado britânico de arte manteve a segunda posição global, mas sofre maior burocracia, custos e retração nas faixas mais baixas

On 23 June 2016 the UK voted to leave the EU
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  • O Brexit, decidido em 2016, continua a influenciar o mercado de arte britânico, com incertezas sobre a posição do Reino Unido como porta de entrada para a Europa.
  • Segundo o relatório da Art Basel e UBS, o Reino Unido manteve a segunda posição no comércio global de arte em valor (18%), abaixo das 21% de 2016.
  • Londres permanece um centro importante para vendas internacionais, com leilões de alto valor e confiança em se manter competitivo, apesar de uma maior burocracia.
  • As importações de arte e antiguidades caíram de US$ 3,2 bilhões em 2019 para US$ 2,1 bilhões em 2020, em parte por causa da pandemia.
  • O setor tem adotado novidades, como fechamento ou redução de presença física de galerias europeias, maior uso de depósitos aduaneiros e busca por modelos de negócios colaborativos e plataformas digitais.

O Brexit, definido pela votação de 23 de junho de 2016, trouxe dúvidas sobre a posição do Reino Unido como porta de entrada para a Europa, burocracia administrativa e restrições à circulação de bens e pessoas no mercado de arte. Ao longo de uma década, especialistas avaliam impactos que se mesclam a choques geopolíticos, pandemias e tensões comerciais globais.

Segundo análises recentes, o ajuste do mercado de arte britânico não foi uniforme. Dados do Art Basel e UBS indicam que o Reino Unido manteve a segunda posição global em valor de comércio, porém com participação recuando de 21% em 2016 para 18%. A leitura é de resiliência relativa, mas com perdas setoriais definidas.

A gestão de informações e custos também mudou. Advogados de grandes escritórios apontam aumento de trâmites para importação e exportação, controles de VAT e documentação adicional, elevando despesas, incertezas e atrasos para galerias e colecionadores. O efeito é mais perceptível no upstream de obras importadas.

Cenário atual do mercado

Ao longo de 2025 e 2026, leilões de alto valor no Reino Unido sinalizaram confiança, com a Lewis Collection em leilão de Sotheby’s estimado em 200 milhões de libras, o maior valor já previsto para uma venda europeia. Especialistas ressaltam que Londres continua sendo um polo internacional, especialmente para obras de alto padrão.

Entretanto, no segmento de menor preço, as consequências do Brexit são mais visíveis. Relatos apontam queda de importações de arte e antiguidades entre 2019 e 2020, ainda que o Covid-19 tenha contribuído para esse recuo. O mercado britânico depende fortemente de obras importadas, o que acentuou o reajuste.

Transformações e novas práticas

Com o tempo, a operação de galerias no Reino Unido passou a incorporar mudanças logísticas e regulatórias. Parcerias entre Londres e galerias da UE persistem, mas a presença física de representantes europeus no capital diminuiu. A indústria tem adotado armazéns aduaneiros e consignação autorizada para simplificar processos.

Geralmente, casas de arte passaram a explorar modelos de negócio diferenciados, com foco em colaboração entre galerias, projetos temporários e participação em feiras-chave. Um grupo de empresários destaca que o conhecimento especializado de galerias pode ter maior valor agregado do que o modelo tradicional de venda única, exigindo novas estratégias de monetização.

A visão de longo prazo aponta para uma nova normalidade, na qual governança, regulação e inovação tecnológica devem moldar operações. Mesmo com mudanças, especialistas ressaltam que Londres permanece relevante como centro de comércio de arte de alto impacto, em meio a cenários competitivos na Europa.

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