- O Master quebrou no fim do ano passado, gerando rombo superior a R$ 50 bilhões que o Fundo Garantidor de Crédito terá de cobrir.
- O esquema envolve o Credcesta baiano, com crédito consignado para servidores públicos, descontado na folha e com dívida que pode não ser quitada de imediato.
- A prática remete ao Mensalão, criado no governo Lula, com monopólio de crédito consignado favorecendo bancos; no Credcesta houve privatização da rede de supermercados e associação de Augusto Lima a Jaques Wagner.
- Segundo a Dataprev, contratos do Credcesta passaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, com descontos autorizados, venda casada de seguros e cancelamento dificultado.
- A operação envolveu dinheiro público e políticos, com a PF apontando favorecimentos que incluíram o BRB e o Rioprevidência; a investigação sustenta o retorno de recursos aos aliados e reaplicação da fórmula antiga.
O escândalo envolvendo o Credcesta e o Banco Master movimenta o cenário financeiro brasileiro. O rombo do Master, revelado no fim do ano passado, pode chegar a mais de R$ 50 bilhões, segundo fontes oficiais. O FGC poderá cobrir parte desse montante.
A investigação aponta que a fraude não teve inovação: tratou-se de apliar uma tecnologia de corrupção já usada 20 anos atrás no Mensalão. O esquema envolveu crédito consignado e operações com bancos públicos e privados.
Segundo a apuração, a raiz do problema está no Credcesta baiano, um crédito descontado na folha de servidores estaduais. A ideia seria facilitar o pagamento, mas o sistema gerou abusos que beneficiaram instituições financeiras.
Origem do esquema
O crédito consignado nasceu em 2003, com promessas de redução de custo para o dinheiro emprestado. Em vez disso, o modelo tornou-se favorável a bancos, com operações de alto lucro e baixo risco de calote.
A prática envolvia o desconto direto no contracheque, mas muitos contratos utilizam o valor apenas como pagamento mínimo, mantendo o saldo alto e gerando juros elevados no rotativo.
A rede de privatizações na Bahia ampliou o alcance do modelo. A rede Credcesta, com servidor público como público-alvo, ganhou exclusividade para operar com o crédito consignado.
Envolvidos e cronologia
Augusto Lima foi apontado como operador central na privatização que ampliou o ganho com o Credcesta. Jaques Wagner tratou diretamente do acordo em 2017, segundo investigações da PF.
Daniel Vorcaro surge como figura-chave na manutenção do modelo. A PF aponta ganhos expressivos para aliados políticos, com repasses a empresas associadas. A defesa nega irregularidades.
A investigação aponta que contratos com órgãos públicos foram usados para sustentar o fluxo de recursos. Títulos sem lastro teriam sido movimentados para sustentar o circuito financeiro.
Desdobramentos atuais
O caso envolve ainda o Banco Regional de Brasília e o Rioprevidência, que teriam ativos ligados ao grupo. As autoridades citam participação de políticos de diferentes espectros.
A 9ª fase da operação Compliance Zero levou a desdobramentos envolvendo endereços de Jaques Wagner e outros acusados. A apuração aponta entregas de imóveis e repasses financeiros ligados à família dele.
Não houve evidência de inovação no Master: a prática seguiu o modelo original de cobrança, com variantes que ampliaram o alcance do crédito consignado. A evidência aponta para uma repetição de uma fórmula já usada no passado.
Situação atual
As autoridades afirmam que há suspeitas consistentes de envolvimento de dirigentes públicos e de dirigentes de bancos na prática. A defesa de alguns citados nega irregularidades e aponta para uso político das acusações.
A reportagem apura que o esquema envolveu cobrança de créditos sem autorização, venda casada de seguros e dificuldades de cancelamento. Os investigadores destacam que o dinheiro público tornou-se parte do tabuleiro.
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