- O número de jovens entre 16 e 24 anos sem ocupar nem estudar chegou a 1.012.000 nos três meses até março, ultrapassando a marca de 1 milhão pela primeira vez desde 2013.
- O relatório apoiado pelo governo estima um custo anual de até £125 bilhões à economia e às contas públicas devido ao aumento de jovens NEET (não em educação, emprego ou formação).
- Alan Milburn alerta para uma “geração perdida” e propõe uma revisão ampla de políticas em educação, saúde e welfare para enfrentar o problema.
- O estudo aponta que ficar NEET entre 18 e 24 pode custar em média £29 mil a cada pessoa ao longo da vida, com impactos significativos na confiança, saúde e renda futura.
- Segundo o relatório, se todos os NEET de 18 a 24 tivessem trabalhado, o GDP poderia ser £38 bilhões maior; atualmente os gastos em benefícios para jovens somam cerca de £8,1 bilhões por ano, com £4,4 bilhões direcionados a NEET.
A Grã-Bretanha enfrenta um custo financeiro de até £125 bilhões por ano devido ao aumento do desemprego entre jovens sem trabalho ou estudo. O alerta chega em relatório apoiado pelo governo e assinado por Alan Milburn, ex-ministro. A divulgação ocorre após o aumento do grupo Neet (não em educação, emprego ou treino) no trimestre encerrado em março.
Milburn afirmou que a situação representa o risco econômico mais significativo para o país, com provável impacto a longo prazo para a economia e as finanças públicas. Segundo ele, a juventude desconectada da atividade produtiva compromete a confiança, a saúde e o potencial de renda futura.
Dados do Office for National Statistics mostram 1.012.000 jovens entre 16 e 24 anos nessa condição, o que supera a marca de 1 milhão pela primeira vez desde 2013. A divulgação ocorreu no lançamento do estudo, que aponta perdas de investimento e custo social relacionado à permanência no Neet.
Impacto econômico
O relatório aponta que a soma da participação perdida na economia e dos gastos públicos com benefícios resulta em um fosso multibilionário. Milburn destacou que esse valor não representa apenas custos do Estado, mas efeitos duradouros sobre a renda futura dos jovens.
Estimativas indicam que a renda média ao longo da vida dos jovens Neet entre 18 e 24 anos pode cair em equivalente a £52 mil. O estudo ressalta que manter alguém nessa situação aumenta a dificuldade de reinserção e eleva o custo de apoio futuro.
A análise aponta que, se todos os jovens nessa faixa estivessem empregados, o PIB poderia crescer em £38 bilhões, e o gasto com benefícios seria menor. O custo anual de ênfase na intervenção pública seria elevado, segundo o relatório, tornando a sustentabilidade do modelo atual uma questão central.
O documento também detalha que o gasto anual do governo com benefícios voltados a jovens chega a cerca de £8,1 bilhões, com mais da metade destinado a Neets. Em contraste, o suporte à procura de emprego representa apenas uma fração dessa despesa.
Medidas e próximos passos
Milburn indica que o afastamento de jovens da educação e do trabalho acarreta perdas de longo prazo para o país. O relatório sugere uma reformulação de políticas que envolva escolas, serviço de saúde e assistência social.
O texto ressalta ainda a necessidade de ampliar apoio para emprego e readequar o sistema educacional e o mercado de trabalho britânico. Embora o estudo seja a primeira parte de um conjunto de recomendações a serem apresentadas no outono, já estimula debate sobre reformas.
Pat McFadden, secretário de Trabalho e Pensões, participou do lançamento destacando uma resposta governamental inicial ao tema, com visão de ampliar a garantia de empregos. Ele ressaltou que ações adicionais são necessárias para enfrentar o problema.
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