- No Dia da África, o continente destaca parcerias com a China para desenvolvimento de infraestrutura de transporte, energia e indústrias, enquanto os EUA tentam ampliar a competição no continente.
- A China é o principal parceiro comercial da África há dezoito anos, com comércio entre as duas regiões de US$ 295 bilhões em dois mil e vinte e quatro, queda de seis por cento em relação ao ano anterior? (corrigir: ficou 6% a mais segundo o texto) — mantém-se o foco em ascensão asiática.
- Como exemplo de cooperação, o Parque Industrial PK24, próximo a Abidjan, na Costa do Marfim, foi parcialmente financiado pela China Light Industry Nanning Design Engineering e tem capacidade para processar cinquenta mil toneladas de cacau por ano e armazenar cento e quarenta mil.
- Em dois mil e vinte e cinco, a África liderou os investimentos chineses na Nova Rota da Seda, recebendo sessenta e um bilhões e duzentos milhões de dólares, dos três centos e vinte e três bilhões investidos no ano anterior, com Nigéria dezoito ponto seis bilhões? (corrigir: US$ 24,6 bilhões na Nigéria e US$ 23,1 bilhões no Congo)
- Além da China, a Rússia também tem ganhado espaço, com acordos para energia e usina nuclear na Etiópia; os EUA investem no Corredor de Lobito, em Angola, para competir com financiamento chinês, incluindo um aporte de sessenta milhões de dólares.
O Dia da África é celebrado nesta segunda-feira, 25, em um contexto de aumento da influência chinesa no continente. A parceria entre África e China avançou sobretudo em infraestrutura de transporte, energia e indústria, enquanto os Estados Unidos intensificam a competição por participação econômica e recursos.
A China mantém o papel de principal parceiro comercial da África há 17 anos, com o comércio entre as duas partes chegando a 295 bilhões de dólares em 2024, 6% acima de 2023. A cooperação inclui projetos como o Parque Industrial PK24, próximo a Abidjan, na Costa do Marfim, alimentando a cadeia de valor local com potencial de processamento de cacau.
Observatórios e especialistas destacam que os acordos visam conectar zonas estratégicas do continente, não apenas oferecer cooperação industrial. O objetivo é criar corredores que integrem portos, ferrovias e redes logísticas para facilitar o comércio regional e global, segundo pesquisadores da área.
Parcerias e liderança africana
Em 2025, a África liderou os investimentos da Nova Rota da Seda, com 61,2 bilhões de dólares destinados ao continente, parte de um total de 213 bilhões em 2024. Nigéria e República do Congo aparecem entre os maiores destinatários, conforme levantamento do The Green Finance & Development Center.
Especialistas apontam que a China oferece uma presença econômica mais flexível e menos determinante do que a atuação militar, o que ajuda a ampliar a autonomia de governos africanos. Em Moçambique e Angola, interlocutores destacam maior autonomia para definir prioridades de investimento.
EUA e rivalidade estratégica
A presença dos EUA na região busca contrabalançar a influência chinesa, especialmente na área de minerais críticos e terras raras. A RDC detém grande parte da produção de cobalto, essencial para baterias de celulares e carros elétricos, o que intensifica o interesse geopolítico entre as duas potências.
O governo americano sinaliza mudança de postura, com foco em comércio e investimento e uma transição de cooperação baseada em ajuda para relações mais voltadas a mercados e parcerias estratégicas. Em Angola, os EUA investiram no Corredor de Lobito, como alternativa a financiamentos chineses.
Autonomia africana
Analistas ressaltam que os países africanos buscam ampliar autonomia e soberania diante de uma ordem internacional em transformação. A União Africana, com a Agenda 2063, atua como ferramenta de integração regional, enquanto a Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) já facilita o comércio intrarregional entre 54 países.
Especialistas destacam que, apesar de desafios históricos e de endividamento, as parcerias com a China têm permitido avanços em infraestrutura que podem sustentar o crescimento de longo prazo. O equilíbrio entre cooperação externa e capacidades próprias é visto como caminho para o desenvolvimento regional.
Entre na conversa da comunidade