- O embaixador britânico em Bahrain, Alastair Long, recebeu a Ordem do Bahrain do rei Hamad bin Isa al-Khalifa, em reconhecimento à sua atuação diplomática.
- Críticos dizem que a concessão viola as regras do Foreign, Commonwealth and Development Office (FCDO) que proíbem autoridades britânicas de aceitar prêmios estrangeiros durante e após seus mandatos, sem autorização.
- Segundo a reportagem, Bahrain não pediu permissão formal ao governo britânico para conceder a honraria.
- Ao longo dos anos, já haviam sido premiados outros embaixadores britânicos no Bahrein, configurando o que críticos chamam de padrão recorrente de condecorações sem consulta adequada.
- Ativistas de direitos humanos e opositores afirmam que aceitar o prêmio sinaliza que diplomatas britânicos estão “à disposição” e levantam preocupações sobre violações de direitos no Bahrein, incluindo repressões a dissidentes e cidadania revogada.
O embaixador britânico no Bahrein, Alastair Long, recebeu a Ordem do Bahrein do rei Hamad bin Isa al-Khalifa, em reconhecimento a seu serviço diplomático. A entrega ocorreu em cerimônia oficial no Bahrein e gerou críticas de defensores de direitos humanos, que afirmam tratar-se de uma violação das regras de aceitação de prêmios estrangeiros pelo governo do Reino Unido.
Segundo a política do Foreign, Commonwealth and Development Office (FCDO), chefes de missões britânicas não devem aceitar condecorações de governos estrangeiros durante ou após o fim de seus mandatos. Além disso, governos estrangeiros precisam solicitar permissão para conceder prêmios a cidadãos britânicos, algo que, segundo fontes, não teria sido feito pelo Bahrein.
O fato já havia sido considerado controverso, com passagem anterior de condecorações a embaixadores britânicos no Bahrein, incluindo anteriores titulares do posto. Em carta ao secretário de Relações Exteriores, o-lib-dem Lord Scriven descreveu o episódio como parte de um “padrão recorrente” de desrespeito ao protocolo diplomático britânico.
Scriven afirmou ao Guardian que o ato envia a mensagem de que “nossos diplomatas e funcionários públicos estão à mercê”. A carta também questionou o impacto nos direitos humanos no Bahrein, citando preocupações sobre a situação no país, incluindo casos de repressão e detenções.
Relatos de organizações de direitos humanos, incluindo a Human Rights Watch (HRW), destacam restrições à liberdade de expressão no Bahrein e prisões arbitrárias de defensores dos direitos humanos. A HRW aponta ainda casos de cidadania retirada de residentes xiitas de origem iraniana e de abusos contra dissidentes.
O governo britânico confirmou que o Bahrein não pediu permissão formal ao FCDO para conceder o prêmio a Long, e afirmou que a homenagem foi feita como cortesia diplomática para manter relações. O distintivo seria mantido apenas como recordação, sem necessidade de devolução.
Defensores de direitos humanos criticam a prática, afirmando que condecorações de governos autocráticos podem sinalizar apoio tácito. O episódio intensifica debates sobre a transparência e a conformidade com as normas do governo britânico em relações com regimes com histórico de violações de direitos humanos.
Entre na conversa da comunidade