- A relação comercial entre Estados Unidos e China passou por escalada de tarifas e resposta chinesa, com Pequim impondo barreiras equivalentes e usando minerais de terras raras para restringir insumos críticos.
- Nos últimos meses, Washington tentou obter recuo de Beijing via negociações, buscando prorrogação de controles sobre exportação de terras raras e promessas de maior compra de produtos agrícolas e energia dos EUA.
- Pesquisadores Ben A. Vagle e Stephen G. Brooks sinalizam que, no longo prazo, o mundo tende a se dividir em blocos liderados por EUA e China, elevando a importância de alianças ocidentais para manter a deterrência econômica.
- O livro Command of Commerce sustenta que os EUA ainda detêm cartas importantes, com empresas ocidentais dominando lucros globais e tecnologia sofisticada fortemente concentrada no mundo ocidental, tornando a dependência de China menor em comparação.
- Em cenários de desacoplamento, os autores estimam que a China sofreria perdas maiores no curto prazo do que os Estados Unidos, reforçando a necessidade de coordenação entre aliados para sustentar a posição econômica ocidental.
O embate entre Estados Unidos e China ganha novos contornos após a escalada comercial de 2025. Os EUA chegaram a impor tarifas de 145% em abril de 2025 e elevaram a incidência efetiva para cerca de 40% sobre muitos produtos chineses. Pequenas concessões foram buscadas mais tarde, em meio a uma contenção da pressão sobre importações americanas. Beijing respondeu com medidas protecionistas equivalentes e acionou o peso de seus minerais de terras raras para interferir na cadeia produtiva global.
A administração norte‑americana, pressionada, acabou recuando em algumas das maiores ameaças de tarifação. Em meio a isso, Washington abriu espaço para negociações com Pequim em maio de 2025, buscando uma extensão para controles de exportação de tecnologia avançada e promessas de compras agrícolas e energéticas dos EUA. Privadamente, autoridades admitem que a China tem capacidade de escalada econômica dominante no momento atual.
A disputa também envolve a percepção de poder global. Pesquisadores sugerem que o mundo tende a se dividir em dois blocos, liderados pelos EUA e pela China, com impactos variados no comércio e nos investimentos diretos. A análise sustenta que, se a separação se acelerar, o custo para a China pode ser maior no curto prazo, mesmo que o longo prazo seja incerto para ambos os lados.
Contexto econômico e geopolítico
Autores destacam que, apesar do tamanho da economia chinesa, a presença de empresas ocidentais continua central na geração de lucros globais. Em setores de alta tecnologia, o domínio das firmas americanas e aliadas é superior ao chinês. Mesmo assim, a China mantém presença relevante em manufatura de baixa tecnologia e em setores como energia limpa.
A obra analisa ainda o papel dos minerais raros como ferramenta de pressão. Os autores argumentam que a dependência ocidental desses insumos cria vulnerabilidades em cadeias produtivas estratégicas. Contudo, destacam que a China enfrenta riscos caso haja realinhamento global de fornecimento, com tempo necessário para reconfigurar minas e produção fora do país.
Cenário para políticas públicas e alianças
O estudo propõe que os Estados Unidos adotem uma estratégia de deterrência econômica com coalizões. Manter o apoio de aliados seria essencial para impor respostas coordenadas a eventuais pressões chinesas. A ideia é combinar barreiras comerciais com medidas de apoio às indústrias afetadas e, se necessário, sanções financeiras direcionadas.
Ainda segundo a análise, o equilíbrio entre custos de curto prazo e ganhos estratégicos de longo prazo pode favorecer o Ocidente. A sugestão é reforçar acordos de segurança econômica entre aliados, preparando resposta conjunta a cenários de coerção chinesa, como cortes de exportações ou restrições tecnológicas.
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