- Novos fundos minoritários entraram na Westwing — Oriz, HIX Capital, BlueOak, Três Ilhas e Leblon Equities — compondo uma base de acionistas mais qualificada após a saída da Mastercard na fatia de 32%.
- A maior participação ficou com a Oikos, com 25,47%, seguida por HIX, WNT, Oriz, BlueOak, Trustee e Argucia Capital; o restante ficou com outros investidores.
- A empresa afirma não ter exposição ao grupo Master e mantém caixa suficiente para operar por cerca de uma década sem buscar crédito, sem dívida bancária.
- O modelo foi reestruturado: reduzido o mix de club de compras, ampliada a importância da Westwing Collection (marca própria), que já representa quase metade do portfólio; objetivo é chegar a 85% em três anos.
- Resultados do primeiro trimestre: receita de R$ 35,8 milhões (+7,3% em relação ao mesmo período de 2025), margens melhores, EBITDA ajustado de -R$ 3,2 milhões (-60,6% vs 2025) e prejuízo líquido de R$ 842 mil; anúncio de redução de capital de R$ 60 milhões com devolução aos acionistas em 1º de julho.
A Westwing segue adotando mudanças estruturais para reverter prejuízos, meses após a troca de acionistas provocada pelo caso do Banco Master. Novo conjunto de fundos entrou como sócios minoritários para compor a base de acionistas da varejista de móveis e decoração.
Entre os novos participantes estão as gestoras Oriz, HIX Capital, BlueOak, Três Ilhas e Leblon Equities. Eles passaram a adquirir parte da fatia de 32% que foi tomada pela Mastercard após a inadimplência do Will Bank, banco digital ligado ao Master de Daniel Vorcaro.
A Mastercard não tinha interesse estratégico na Westwing e levou as ações a leilão realizado pelo BTG Pactual. Em entrevista, o CEO André Machado classificou as gestoras como uma nova base de acionistas “super qualificada” para a empresa.
Composição acionária e caixa
Na relação acionária de maio à B3, a Oikos aparece como maior sócia, com 25,47%, seguida por HIX (8,70%), WNT (7,94%), Oriz (6,64%), BlueOak (6,63%), Trustee (5,65%) e Argucia Capital (5,04%). Os 33,94% restantes ficam com outros investidores.
Em janeiro, a Westwing perdeu o acionista de referência ligado ao Banco Master, que havia dado ações como garantia. Machado garante que não houve qualquer exposição da empresa ao grupo Master, citando recebíveis ou aplicações em CDB de instituições arriscadas.
Pelo estatuto, o caixa da empresa pode ser aplicado apenas em instituições AAA, o que restringe as opções a nomes como Itaú Unibanco, Bradesco e BTG Pactual. A prática evita riscos por parte da diretoria.
Liquidez e estratégia de retomada
Apesar de o prejuízo acumulado alcançar R$ 241,6 milhões, a Westwing tem caixa suficiente para operar por uma década sem recorrer a crédito. Não há dívida bancária, apenas contratos de arrendamento de lojas e do centro de distribuição em Jundiaí.
Essa posição de liquidez sustenta a aposta de reversão adotada por Machado desde que assumiu a presidência, em agosto de 2025. O objetivo é reorganizar a operação para tornar o modelo sustentável.
Transformação do modelo de negócios
O antigo clube de compras foi abandonado. O sortimento foi reduzido, a homepage passou a ser atualizada semanalmente, e o portfólio foi redesenhado com foco em produtos proprietários, a Westwing Collection. A marca própria já representa perto de metade do faturamento.
A meta é elevar a participação de produtos proprietários para 85% do portfólio em três anos. Móveis continuam sendo a categoria mais relevante, com crescimento considerável no último trimestre.
Resultados recentes e canais de venda
No primeiro trimestre, a receita líquida subiu 7,3% frente ao mesmo período de 2025, totalizando R$ 35,8 milhões. O EBITDA ajustado ficou negativo em R$ 3,2 milhões, mas houve melhora de 60,6% na comparação anual. O prejuízo líquido foi de R$ 842 mil.
O canal de arquitetos e designers mostrou avanço significativo, com crescimento de seis vezes em um ano. Estima-se uma base de aproximadamente 150 mil profissionais, que atuam como prescritores da marca.
Perspectiva de curto prazo
Machado não fixou data para o retorno ao lucro, mantendo o ritmo de implementação do plano de três anos. A estratégia envolve continuidade de ajustes operacionais e geração de caixa, trimestre a trimestre, sem depender de novas captações.
A empresa aprovou uma redução de capital de R$ 60 milhões em abril, com restituição prevista para 1º de julho. O caixa disponível aponta para continuidade das operações sem novas buscas por recursos externos.
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