- As investigações da Seção 301 dos Estados Unidos sobre “excesos de capacidade” em manufaturas incluem México, além de China, Índia, Japão e União Europeia, entre outros.
- O governo mexicano pediu sua exclusão do processo, afirmando não haver fundamento legal nem fático para incluir o país.
- México informou que o estudo pode interromper cadeias de suprimento, elevar custos, prejudicar a cooperação regional e gerar mais desemprego no setor.
- A siderúrgista Deacero afirmou que o déficit comercial dos EUA com México em aço estrutural é de cerca de US$ 4 bilhões por ano e que 55% das importações mexicanas de aço vêm dos EUA; pediu que não haja novas tarifas.
- A indústria automotiva mexicana representa 79,7% das exportações do setor para os EUA, com vendas globais de US$ 104,8 bilhões em 2024; o país é um importante fabricante mundial.
A Comissão de Comércio dos Estados Unidos abriu novas investigações sob a Seção 301 para avaliar supostos excessos de capacidade em manufaturas de várias nações, incluindo México, China, Vietnã, Japão e Índia. A medida pretende justificar novos aranceles e retomar a política protecionista defendida pela Administração de Donald Trump.
México contestou as acusações, afirmando não haver fundamento legal nem fático para enquadrar o país na investigação. Representantes mexicanos pediram a exclusão, destacando riscos a cadeias de suprimento, cooperação regional e emprego no setor manufatureiro.
Durante as audiências públicas, o governo mexicano sinalizou preocupações com aumento de custos e distorção de mercados. Também citou obrigações com a OMC e com o TMEC como fundamentos para evitar medidas unilaterais.
O que foi apresentado pela indústria mexicana
A siderúrgúrgica Deacero argumentou que a balança comercial de aço entre EUA e México apresenta superávit de cerca de 4 bilhões de dólares anuais, com 55% das importações de aço para o México vindo dos EUA. A empresa pediu que Washington não imponha novas tarifas sob a Seção 301.
Gerardo Lameda, representante da Deacero, indicou que novas medidas agravariam desafios comerciais na região e prejudicariam as cadeias de suprimento integradas. Ele também mencionou que aranceles existentes de 50% sobre o aço mexicano já complicam o cenário.
O executivo destacou que, desde a implementação de tarifas sob a Seção 232, países asiáticos têm sido os principais beneficiários do comércio de aço com os EUA. A sugestão é fortalecer a integração norte-americana como resposta ao excedente de capacidade e a práticas desleais.
Implicações e próximos passos
Os argumentos iniciais da USTR apontam para um aumento do superávit mexicano com os EUA em setores como automóveis, construção e transporte. A indústria automotiva mexicana foi citada como a quinta maior fabricante mundial, com exportações de 104,8 bilhões de dólares em 2024; os EUA representaram quase 80% dessas exportações.
A USTR determinará se as ações, políticas e práticas em análise são irracionais, discriminatórias ou prejudiciais ao comércio americano. Além do México, a lista de países sob escrutínio inclui China, UE, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Vietnã, Tailândia, Coreia, Taiwan, Bangladesh, Japão e Índia.
A medida faz parte de uma linha de ações da Administração, que, após decisões judiciais que limitaram aranceles anteriores, busca rearmar a estratégia comercial com o uso de tarifas como instrumento. A Casa Branca mantém a defesa de reordenar o comércio global por meio de tarifas, mesmo diante de rejeições judiciais.
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