- Deputado Pedro Lupion, líder da Frente Parlamentar da Agricultura, afirma que Lula falha em atender as demandas do agronegócio, mesmo com abertura de novos mercados.
- Ele afirma que o governo está em uma “bolha” contrária ao setor, citando medidas como resoluções do Conama e do Conselho Monetário Nacional que, segundo o parlamentar, atrapalham o dia a dia dos produtores.
- O deputado aponta custos de produção elevados, crédito difícil, queda de rentabilidade e juros altos como sinais de piora para o setor em meio ao cenário internacional e à geopolítica.
- Sinalizadores práticos incluem redução de negócios na Agrishow, endividamento crescente e dificuldade de acesso a financiamentos, agravados pela necessidade de mudanças no Plano Safra e por subvenção insuficiente do seguro rural.
- Lupion duvida que o governo consiga atender aos pedidos do próximo Plano Safra, entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões, devido à situação fiscal, defendendo ainda a renegociação rápida de dívidas rurais para evitar crise similar à dos anos 1990.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta críticas do agronegócio sobre a condução de políticas e de ações de governo. Segundo o deputado federal Pedro Lupion, líder da Frente Parlamentar da Agricultura, o setor permanece sem atendimento suficiente mesmo com a expansão de mercados internacionais para produtos brasileiros. As afirmações foram feitas em entrevista ao Estadão, publicada nesta quarta-feira.
Lupion aponta que há uma percepção de distanciamento entre o discurso oficial e as ações práticas voltadas ao setor. O deputado afirma que decisões recentes podem agravar a tensão, especialmente em ano eleitoral, quando o agronegócio costuma exigir alinhamento maior do governo. Ele cita decretos e resoluções como fatores que atrapalham o dia a dia do produtor.
Para o parlamentar, o governo estaria falando para uma “bolha” oposta ao agronegócio, o que poderia impactar a economia. Segundo ele, medidas regulatórias e a pressão por mudanças no ambiente tributário criam dificuldades operacionais, com impactos percebidos na produtividade e na concorrência.
Próximo Plano Safra e crise no campo
Lupion descreve um cenário financeiro desafiador para produtores, com custos elevados, crédito restrito e rentabilidade em queda, ainda que a produtividade siga alta. O deputado cita custos de insumos, problemas geopolíticos e fretes como componentes da conjuntura negativa.
Ele observa redução de negócios na Agrishow e diz que produtores estão contornando o endividamento e o acesso a financiamentos. Em relação ao Plano Safra, o parlamentar defende redução de juros, mais crédito disponível e mudanças estruturais para evitar repetição de crises anteriores no setor.
O deputado também aponta preocupações sobre o seguro rural, indicando que os últimos planos não destinaram recursos para a subvenção, o que ele afirma tornar o crédito mais caro para o produtor. Em relação ao volume de recursos para o próximo Plano Safra, Lupion duvida da capacidade do governo de atender a pedidos que variam entre 623 bilhões e 674 bilhões de reais.
Ele ressalta ainda que a situação fiscal da União dificulta a liberação de recursos defendidos pelo agronegócio, defendendo renegociação de dívidas rurais como medida para evitar crises semelhantes às da década de 1990.
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