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Por que os peixes não têm pelos? Entenda a adaptação da pele

A evolução mostra caminhos distintos: peixes tiveram escamas, mamíferos perderam pelos e adotaram gordura para isolamento na água

Peixes da espécie Poecilocharax Callipterus.
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  • Peixes mantêm escamas e muco, enquanto mamíferos aquáticos, como golfinhos e baleias, evoluíram de forma diferente para se adaptar à água.
  • O pelo é uma característica exclusiva dos mamíferos, surgido na linha evolutiva dos sinápsidos há mais de 300 milhões de anos.
  • Quando vertebrados passaram a viver na terra, o pelo foi vantajoso para conservar calor; na água, ele perde eficácia, favorecendo gordura subcutânea em muitos mamíferos aquáticos.
  • Baleias e golfinhos perderam quase todo o pelo e ganharam gordura para isolamento; o genoma mostra perda de genes da queratina capilar nesses cetáceos.
  • Focas ilustram um caminho intermediário entre pelo e gordura, com variações na pelagem conforme o grau de vida aquática de cada espécie.

Um conjunto de vertebrados aquáticos mostra peles completamente distintas: peixes têm escamas e muco, golfinhos pele lisa e sem pelos, e focas ou leões-marinhos exibem pelagens densas. A explicação está na evolução, que seguiu caminhos diferentes para proteger e isolar o corpo.

Pesquisadores destacam que o pelo é uma inovação exclusiva dos mamíferos, surgido há mais de 300 milhões de anos na linhagem dos sinápsidos. Os peixes, porém, já haviam se separando dos vertebrados terrestres há cerca de 375–400 milhões de anos, antes do pelo existir. Assim, os peixes desenvolveram escamas duras e um muco protetor, não pelos.

Pelos, escamas e muco: funções distintas

Os peixes apresentam escamas derivadas da derme com base mineralizada, diferentes das estruturas do pelo mamífero. O muco na pele reduz atrito, evita invasões patogênicas e regula sais, funcionando de forma independente da pelagem dos mamíferos.

Ao migrar para a Terra, as pressões físicas mudaram. O pelo mantém ar junto à pele, isolando do calor e da radiação, além de proteger contra abrasões e parasitas. No entanto, na água, o ar não permanece estável, tornando a pelagem menos eficaz.

Do pelo à gordura: caminhos evolutivos convergentes

A transição para ambientes aquáticos levou à diversidade entre mamíferos marinhos. Baleias e golfinhos reduziram quase completamente o pelo, mantendo apenas alguns folículos; a gordura subcutânea passou a cumprir o isolamento. Em fósseis e no genoma, observa-se a perda de genes da queratina capilar nesses cetáceos.

Pinípedes ocupam posição intermediária, alternando entre terrestre e mar. Lobos-marinhos mantêm pelagem densa, enquanto focas dependem mais da gordura, com variações graduais conforme o grau de adaptação à água. Não existe uma escala de superioridade; trata-se de adaptações a diferentes condições físicas.

Convergência evolutiva e lições

A evolução não planeja soluções ideais, apenas o que funciona. Peixes não precisaram de pelos; mamíferos terrestres não retomaram escamas ao retornar ao mar. A transição entrepelos e gordura ocorreu diversas vezes em linhagens distintas.

Focas seguem no meio do caminho entre pele pelada e gordura subcutânea. Baleias chegaram ao extremo, com quase total perda de pelos, evidenciada em genes inativos de queratina capilar. A história, portanto, revela diferentes soluções para viver na água, com uma lição: ambiente molda a forma como a pele muda ao longo do tempo.

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