- Mulheres sem-teto em Londres estão sendo forçadas a aceitar moradias a centenas de quilômetros de distância, sob pressão de trocar a rua por opções longe de casa.
- Um caso envolvendo uma mulher albanesa, atendida pelo conselho de Ealing, levou a uma decisão judicial que considerou ilegal oferecer um imóvel a mais de 250 milhas de distância.
- O tribunal destacou que a oferta não respeitava as circunstâncias da respondente; a prefeitura alegou ter fortalecido seus procedimentos após o veredito.
- Relatos de apoio mostram que relocação distante prejudica vítimas de violência sexual e pode separar famílias, gerando impactos emocionais e de bem‑estar infantil.
- Defensores e organizações, como Shelter, contestam a prática e já acionaram novas medidas legais em casos similares, incluindo um caso em Redbridge onde a moradia também foi ofertada longe do local de residência.
A mulher albanesa, sobrevivente de tráfico sexual, pediu moradia após chegar a oeste de Londres com dois filhos. Ela buscou ajuda no conselho de Ealing, relatando sentir-se insegura fora da cidade, onde recebia apoio vital. Três semanas depois, o conselho ofereceu uma moradia a mais de 250 milhas, em County Durham, o que a deixou sem alternativas.
Ao tomar conhecimento da proposta, a mulher contou que a distância seria incompatível com a proteção necessária para ela e as crianças. Ela chegou a descrever o impacto emocional intenso, incluindo episódios de sofrimento e medo, caso aceitasse fugir para outra região.
Em novembro, um juiz da alta corte julgou que a decisão de Ealing foi ilegal, afirmando que a forma de apresentação e a avaliação da vulnerabilidade não foram adequadas. O tribunal ordenou que o município reavaliasse o caso com maior atenção às necessidades da família.
A prefeitura de Ealing reconheceu a gravidade da sentença e informou ter ajustado seus procedimentos para considerar cada caso de forma individual, com foco em vulnerabilidade e proteção. A decisão permanece sujeita a recursos.
A senhora Albanesa é uma entre centenas de pessoas sem-teto que receberam prazos ou ofertas de moradia distantes, muitas vezes em áreas pobres de Inglaterra. Organizações de caridade apontam que várias câmaras municipais agem de forma questionável para reduzir o registro de pessoas nessas situações.
Ao apresentar preocupações sobre a mudança para Durham, a equipe de Ealing indicou serviços de apoio na nova região, mas dois links indicados estavam incorretos: um apontava para Durham, nos Estados Unidos, e o outro, para Durham, no Canadá. O município mantém que a localidade proposta era adequada e continua a recorrer da decisão judicial.
Outra mulher albanesa, de 24 anos, também relatou ter sido movida por Redbridge para uma casa a centenas de quilômetros de Londres. A mudança separou-a de seu filho, que permanece com o pai na capital. A Redbridge informou que a demanda por moradia acessível supera a oferta e que a avaliação de cada caso busca evitar desvantagens a grupos específicos.
A Shelter, ONG de apoio a moradores, já participa de ações legais de revisão em apoio às pessoas afetadas. O caso da segunda mulher segue em tribunais, após recurso apresentado pela defesa das vítimas contra a transferência forçada.
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