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Mélenchon afirma que a direita só propõe medo

Melenchon lança campanha em Saint-Denis e apresenta a “Nova França” como alternativa integradora, contra uma direita sem propostas além do medo

Jean-Luc Mélenchon en su despacho de París el pasado martes.
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  • Jean-Luc Mélenchon lançou a campanha da La France Insoumise em Saint-Denis e é apontado como o candidato mais claro à Presidência francesa de 2027.
  • Defende a “Nova França” como narrativa integradora, contraposta ao discurso da extrema direita, e diz que o país precisa de uma França real e concreta.
  • Afirma que quarenta anos de neoliberalismo destruíram a França e critica a esquerda moderada por aceitar regras neoliberais; busca unir a esquerda para enfrentar a direita.
  • Mantém o euro e a União Europeia, critica evasão de impostos de grandes empresas e propõe investir para reverter a situação econômica, com mudanças na distribuição de renda.
  • Aponta risco de violência na campanha pela radicalização da extrema direita, e defende diálogo com Moscou para encerrar a guerra na Ucrânia com garantias de segurança, mantendo postura de não alinhamento e independência.

Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insumisa, lançou a campanha presidencial em Saint-Denis, periferia de Paris, no último domingo. O candidato afirmou que a “Nova França” representa uma resposta integradora frente ao discurso da extrema direita e destacou que há necessidade de reduzir impactos do neoliberalismo.

O político afirmou que a esquerda precisa construir uma frente unida na prática, não apenas em discurso. Ele associou o surgimento de uma “França real” ao aumento de diversidade e criticou coalizões que, no seu entender, favoreceriam a direita. Afirmou também que a vitória depende da união no terreno.

Segundo Mélenchon, a esquerda precisa tentar reduzir o domínio do que chama de modelo neoliberal. Disse acreditar que a disputa presidencial será entre “fascistas e nós” e que a estratégia visa ampliar o apoio entre mulheres, jovens, idosos e comunidades diversas.

Ele criticou o que chamou de esvaziamento da direita, afirmando que, sem conteúdo, o polo conservador recorre a mísseis de ataque a minorias. O líder reiterou a necessidade de construir alianças de esquerda a partir de ações locais, não apenas de acordos entre direções políticas.

Sobre finanças públicas, Mélenchon pediu mudanças na ordem orçamentária, defendendo que quem pode pagar, pague. Citou a Total como exemplo de evasão fiscal e prometeu inverter a lógica atual de gastos, com foco em investimento público.

Em relação à segurança, o candidato mencionou o risco de violência durante a campanha e citou possíveis interferências externas, indicando alerta de serviços de inteligência sobre atividades vinculadas a governos estrangeiros em cidades como Marselha e Toulouse.

Mélenchon respondeu a críticas sobre supostas falas antissemitas, alegando ser vítima de uma construção política antiga que busca desqualificá-lo, e disse que não recuaria de sua visão de mundo universalista. Afirmou que não busca excluir setores da esquerda, mas enfatizou a necessidade de união real no terreno.

Sobre a União Europeia, o candidato disse que não defende sair do euro nem da UE, mas propõe revisar o modelo econômico. Aponte que a França precisa buscar um eixo de política externa mais independente na Europa, incluindo diálogo com governos progressistas da região.

Questionado sobre relações internacionais, Mélenchon defendeu possibilidade de diálogo com Moscou caso eleito, desde que haja garantias de segurança para ucranianos e europeus e condições de fronteira respeitadas. Propôs negociações com base em consulta popular, desminagem do Mar Negro e garantias mútuas.

Para a avaliação de cenários europeus, o líder sugeriu que uma vitória de esquerda na França poderia influenciar outros países, desde que a esquerda seja capaz de manter uma agenda de redistribuição e pacificação, sem abrir mão de princípios.

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