- Mercados esperam redução de 0,25 ponto da Selic na decisão do Copom desta quarta, levando a taxa de 14,50% para 14,25% ao ano, com nova queda prevista para fim de agosto.
- O Focus aponta queda adicional de 0,25 ponto na reunião de agosto e Selic em 14%; projeção de fim de 2026 sobe para 13,75% e 2027 para 12%.
- Economista-chefe do JP Morgan, Cassiana Fernandez, afirma que o Brasil tem fatores estruturais favoráveis, mas desequilíbrios fiscais limitam quedas rápidas da taxa.
- Relatório destaca que o Brasil é visto como mercado emergente bem posicionado para investimentos, devido a recursos naturais, potencial em terras raras, data centers e alta digitalização.
- A percepção de investidores sobre o cenário fiscal e a trajetória da dívida Pública influencia a disposição de cortes adicionais, principalmente após as eleições.
Com expectativa de novo corte na Selic, o mercado acompanha hoje a decisão do Copom. O boletim Focus aponta queda de 0,25 ponto, de 14,50% para 14,25% ao ano. Para agosto, a previsão é de novo recuo de mesma magnitude, levando a Selic a 14%.
A economista-chefe para a América Latina do JP Morgan, Cassiana Fernandez, afirma que o Brasil tem fundamentos estruturais que ajudam a visão de longo prazo, mas carrega desequilíbrios que limitam quedas mais rápidas.
Segundo o Focus, as projeções de fim de 2026 subiram para 13,75%, ante 13,50% na semana anterior. Em 2027, o mercado aponta 12%, versus 11,5% anteriormente. Fernandez destaca o efeito de políticas fiscais e monetárias na velocidade de ajuste.
Para a especialista, o Brasil reúne atributos de atratividade global, como recursos naturais, potencial para terras raras e infraestrutura para IA. A digitalização, a bancarização e o crescimento de fintechs podem sustentar ganhos de produtividade.
Entre reformas, a economista cita a trabalhista de 2017, a regra de gastos, a Previdência e a reforma tributária de 2023. Ela ressalta que a opinião pública, em especial sobre a Previdência, já influenciou o cenário político e econômico.
No curto prazo, o principal risco é a condução fiscal. Fernandez lembra que a economia operava acima do potencial e o BC elevou juros para conter inflação, enquanto o governo ampliou estímulos fiscais, reduzindo o espaço para a atuação do banco.
O JP Morgan aponta espaço para cortes adicionais no curto prazo, com 0,25 ponto na reunião de hoje e decisões condicionadas aos indicadores. O banco também vê chance de mais quedas antes das eleições, se houver menor pressão fiscal e menor risco geopolítico.
Entre famílias e empresas, o quadro é distinto. O mercado de trabalho aquecido e benefícios ampliados ajudam famílias, enquanto empresas enfrentam custos mais altos, juros elevados e pressão sobre insumos, o que pode afetar margens.
Fernandez alerta que não é sustentável manter esse ritmo entre consumo público e custo de capital para empresas. Em algum momento, empresas podem repassar custos ao consumidor ou reduzir empregos.
Sobre o interesse externo, a economista aponta que houve queda de apetite de investidores desde o início do ano, com dólar mais forte e dúvidas fiscais. A resiliência da economia americana também pesou na percepção sobre fluxos para emergentes.
Para o cenário eleitoral, o comportamento da Selic dependerá da resposta de mercados ao resultado. Uma política fiscal menos expansionista pode abrir espaço para mais cortes, segundo a analista, que vê o resultado como central para a formação de expectativas de juros de longo prazo.
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