- Anthropic protocolou pedido de IPO nos EUA, poucos dias após a SpaceX anunciar planos de levantar US$ 75 bilhões; a OpenAI também deve seguir.
- Uma pesquisa da Janus Henderson com 1.000 investidores americanos acima de US$ 250 mil em ativos aponta que 67% temem bolha ou correção de IA nos próximos 12 meses, enquanto 61% veem impacto positivo no longo prazo.
- Entre as preocupações, 28% temem que a tecnologia não corresponda às expectativas, 24% citam vieses ou salvaguardas insuficientes e 19% acreditam que os investimentos em IA podem estar supervalorizados.
- O especialista Eduardo Felipe Matias afirma que os movimentos podem coexistir: transformação real da economia com risco de que ativos ou infraestrutura estejam caros demais; diferença entre valor da tecnologia e o que o mercado paga hoje.
- Dados da IEA mostram que data centers consumiram 415 TWh em 2024 (cerca de 1,5% da eletricidade mundial); projeção é chegar a 945 TWh até 2030, com demanda de energia de IA crescendo cerca de 30% ao ano para esses equipamentos.
Ontem, a Anthropic protocolou nos EUA o pedido de IPO, ampliando a agenda de lançamentos de empresas ligadas à inteligência artificial. A SpaceX anunciou planos de levantar US$ 75 bilhões, na maior oferta pública inicial da história, movendo o setor mais perto de um marco histórico. A OpenAI também é citada como provável participante do movimento.
Um levantamento da gestora Janus Henderson com 1.000 investidores americanos acima de US$ 250 mil em ativos aponta que 67% temem uma bolha ou correção ligada à IA nos próximos 12 meses. A principal preocupação é que a IA não atenda às expectativas, embora 61% acreditem em impacto positivo no longo prazo.
Mercado e IPOs
A onda de aquisições e listagens ocorre em meio ao entusiasmo por aplicações de IA. A Anthropic é criadora do Claude e decidiu abrir capital nos Estados Unidos, sinalizando foco na captação de recursos para expansão. A SpaceX, controlada por Elon Musk, avalia uma captação histórica para financiar investimentos.
Perspectivas e riscos
O levantamento mostra que 28% temem que a tecnologia não atinja as expectativas. Outros 24% citam riscos de vieses, uso indevido ou salvaguardas insuficientes. Ainda, 19% avaliam que os investimentos em IA podem estar supervalorizados.
Eduardo Felipe Matias, professor convidado da Fundação Dom Cabral, aponta coexistência entre otimismo e cautela. Segundo ele, a infraestrutura necessária para IA envolve data centers, chips e energia, com financiamentos significativos. A comparação com a bolha pontocom ajuda a entender apenas parte do cenário.
Infraestrutura e comparação histórica
Matias ressalta que a IA transforma produção de conhecimento, decisões e tarefas, afetando setores inteiros. Contudo, grandes ondas tecnológicas costumam sustentar excessos de investimento. Hoje, o peso das big techs no S&P 500 é maior do que na virada do milênio, reforçando o impacto econômico.
Dúvidas sobre ritmo de monetização
Para o especialista, há tensão entre confiança no potencial de longo prazo da IA e dúvidas sobre velocidade de monetização. Custos, erros, vieses e incertezas regulatórias dificultam a obtenção rápida de retornos. O risco de uma correção depende da demanda real.
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