- A União Europeia adotará a Regulamentação de Desflorestação (EUDR) em janeiro de 2027, exigindo que produtores de borracha demonstrem que suas áreas não foram desmatadas após 31 de dezembro de 2020 para exportar para o bloco.
- Cerca de 1,7 milhão de pequenos fornecedores respondem por noventa por cento da borracha natural na Tailândia, onde muitos enfrentam preços voláteis, doenças das lavouras e mudanças climáticas.
- Empresas privadas, como a Agriac, estão lançando sistemas de rastreabilidade (ex.: plataforma Traztru) para mapear lotes, registrar títulos de terras e cumprir padrões de sustentabilidade para atender o mercado da União Europeia.
- O governo tailandês, por meio da Autoridade de Borracha da Tailândia (RAOT), já mapeou cerca de 3,1 milhões de hectares, ou cerca de setenta e nove por cento da área total de produção de borracha do país, e discute modelos de rastreabilidade alinhados ao setor de florestas.
- O desafio permanece para os pequenos produtores, principalmente quanto à posse formal de terras e à adoção de práticas sustentáveis; sem apoio técnico e financeiro, muitos podem ficar fora do mercado europeu.
Basta de dúvidas: a União Europeia planeja aplicar a Deforestation Regulation (EUDR) aos insumos de borracha natural de pequenas propriedades na Tailândia. Em Krabi, produtores como Sathit Phromraksa já enfrentam o desafio de manter o fornecimento ao mercado europeu a partir de 2027.
A norma exige que empresas comprovem que o land foi desmatado antes de 2021 e rastreiem a origem dos lotes ao longo de toda a cadeia. A Tailândia é grande fornecedora mundial e vê impactos potenciais em milhares de pequenos agricultores.
Sathit cuida de 500 seringueiras em 1,6 hectare, numa área gerida com práticas orgânicas. Ele está filiado a uma cooperativa apoiada pela Agriac, que trabalha para tornar a borracha rastreável e apta a mercados europeus.
Private sector steps in
Empresas privadas passam a atuar para apoiar os pequenos produtores na adaptação ao EUDR. A RAOT coordena o georreferenciamento de áreas de cultivo, cobrando maior transparência e documentação.
A Agriac gerencia uma plataforma de rastreabilidade chamada Traztru. Ela mapeia lotes, títulos de terras e operações, seguindo padrões FSC, para que fábricas recebam borracha certificada.
Produtores cadastrados recebem prêmio acima do preço de mercado por atenderem padrões ambientais e trabalhistas. O benefício ajuda a cobrir custos de transporte e insumos sustentáveis.
Desafios e investimentos
A cadeia de borracha na Tailândia é fragmentada: milhões de agricultores entregam a intermediários, que somam a mais de 200 fábricas. A rastreabilidade completa é um desafio logístico e financeiro.
Especialistas apontam que cerca de 20% dos pequenos produtores não possuem títulos formais de terra. Sem apoio técnico, muitos podem ficar fora do mercado europeu.
Organizações internacionais e setor privado discutem mecanismos de financiamento para ampliar a adesão de mais produtores às exigências do EUDR, incluindo soluções digitais e agroflorestais.
Caminho adiante
Autoridades e empresas defendem maior clareza de preços e inclusão de pequenos agricultores nos benefícios do sistema. A adoção de práticas sustentáveis pode ampliar o acesso a mercados premium, ainda que haja custo inicial de conformidade.
A Agriac planeja ampliar operações para novas lavouras, inclusive o cultivo de palma, mantendo foco em produtores de pequena escala. A meta é manter a oferta compatível com padrões europeus sem excluir os pequenos agricultores.
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