- Sabesp contratou a tecnologia da Asterra para mapear vinte e dois mil quilômetros de rede na região metropolitana de São Paulo por dois anos, em um acordo de R$ cinco milhões e novecentos mil, com promessa de recuperar mais de 6,7 bilhões de litros de água nos primeiros doze meses.
- O sistema usa satélite com radar de abertura sintética para detectar vazamentos subterrâneos pela assinatura elétrica da água tratada, associada ao cloro, e cruza os dados com as redes da concessionária.
- Em projeto-piloto realizado em 2024 no centro de São Paulo, a ferramenta identificou cinco vezes mais vazamentos que os métodos tradicionais, e, no início do contrato, as áreas monitoradas somam nove mil quilômetros nos três primeiros meses.
- O mapeamento não é único: as equipes de geofonistas vão aos locais indicados pelos mapas, confirmam com testes no solo e registram os vazamentos no aplicativo para reparo.
- Desafios incluem interferências nas imagens, necessidade de operar em horários com menos tráfego e a demanda por profissionais treinados; a Sabesp vê a tecnologia como forma de reduzir perdas, com projeção de varreduras semestrais.
O satélite criado para detectar água em Marte pode ajudar a localizar vazamentos na Terra. No caso de São Paulo, a tecnologia deve recuperar 6,7 bilhões de litros de água. O sistema usa radar de abertura sintética para mapear o subsolo.
A ideia vem da geofísica Lauren Guy, que criou a empresa Asterra. Ela adapta dados de radar terrestre com algoritmos de inteligência artificial para identificar água potável sob o solo, associando a assinatura elétrica ao cloro presente na água tratada.
O método já está em uso internacionalmente e foi contratado pela Sabesp. Em um contrato de 5,9 milhões de reais, a solução ficará ativa por dois anos para mapear a Região Metropolitana de São Paulo.
Como funciona a tecnologia
O radar envia ondas na banda L que atravessam a atmosfera e penetram o subsolo. Parte da energia retorna aos sensores, gerando imagens que ajudam a detectar moléculas de água sob a superfície.
A Asterra cruza as imagens com mapas da rede de água da concessionária. Pontos de vazamento aparecem com marcações de cores no mapa, com vermelho indicando maior probabilidade de vazamento.
A assertividade citada pela SABESP fica acima de 90%, sujeita à circulação de pessoas e obras, que podem interferir nas leituras. Em períodos de menos movimento, o desempenho aumenta.
A coleta de dados é progressiva. O monitoramento abrange 22 mil quilômetros de redes, com análise inicial de 9 mil quilômetros nos três primeiros meses.
Contexto de atuação e operação
Antes, técnicos utilizavam geofones para ouvir vazamentos subterrâneos, o que demandava tempo e profissionais qualificados. O processo era complementado por sensores de pressão e de ruído para ampliar a área de busca.
A SmartBall também é usada em redes adutoras para detectar vazamentos, inserida na tubulação para ampliar a detecção de problemas. A combinação de métodos facilita a localização de pontos críticos.
A Sabesp aponta que a correção de vazamentos envolve intervenções que podem exigir abertura de vias, o que complica prazos de reparo. Em média, 80% dos consertos ocorrem em até 24 horas.
Resultados esperados e desafios
O projeto piloto central de São Paulo, realizado em 2024, mostrou incremento de cinco vezes na identificação de vazamentos. Desde março, o contrato está em vigor, com início da atividade em abril.
A Sabesp estima recuperar mais de 6,7 bilhões de litros nos primeiros 12 meses. Em termos práticos, o volume equivaleria ao abastecimento de Caieiras, na região metropolitana, por aproximadamente um ano.
A correção de vazamentos requer tempo e recursos, especialmente para áreas com pavimentos e estruturas rígidas. O levantamento por satélite não substitui a visita técnica, que continua essencial para confirmar o ponto exato do vazamento.
Perspectiva e próximos passos
A Sabesp planeja expandir o uso da tecnologia para detectar vazamentos de esgoto, além de água tratada. A expectativa é reduzir perdas e melhorar o abastecimento urbano, com diagnósticos sem necessidade de adaptações específicas para uso no Brasil.
Especialistas em saneamento ressaltam que o sucesso depende de gestão eficaz das equipes e de profissionais qualificados para a leitura dos dados e para a intervenção no local.
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