- Em um período de seis semanas em 2025, foram listados para venda mais de 1.600 primatas em Facebook, Instagram, TikTok e YouTube nos EUA.
- O estudo registrou 1.131 posts de 122 usuários anunciando 1.614 animais, com termos como “adoção” ou “relação de resgate” mascarando transações comerciais.
- Doze taxons de primatas foram identificados, incluindo macacos do gênero Macaca, capuchinos, saguis, macacos-aranha, tamarins, macacos-prego, vervets, lêmures, bush babies, chimpancês, howler e owl monkey.
- Os preços variaram de 250 a 6.500 dólares, dependendo da espécie, idade e raridade, com muitos anúncios mostrando filhotes.
- Especialistas destacam risco para bem-estar animal, segurança pública e pressão sobre zoológicos e santuários, clamando por medidas mais firmes e melhoria de denúncias em plataformas.
A divulgação de um relatório conjunto revela um aumento acentuado na venda online de primatas nos EUA, ocorrida ao longo de um período de seis semanas em 2025. A pesquisa envolveu organizações de conservação e monitorou redes sociais para mapear o problema. O estudo aponta plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e YouTube como canais usados para comercialização.
Mais de 1.600 primatas foram listados para venda durante o período, com buscas simples como “re-homing” ou “adoção” permitindo que as ofertas ficassem visíveis mesmo com regras contra venda de animais. Vendedores costumam disfarçar operações comerciais como campanhas de resgate ou realocação de animais.
Foram analisadas 1.131 publicações de 122 usuários, anunciando 1.614 primatas vivos de, ao menos, 12 espécies diferentes, incluindo macacos, saguis e lêmures. Os preços variaram de US$ 250 a US$ 6.500, com muitos animais apresentados como filhotes.
Implicações para bem-estar e regulação
Infantes e juvenis predominam entre os anúncios, sendo retirados de mães na natureza para atrair compradores. Traumas, ferimentos e mortes surgem com frequência durante o tráfico e o transporte até o comprador, segundo o estudo.
A prática ocorre em meio a um cenário em que cerca de 60% das espécies de primatas estão ameaçadas de extinção e 75% registram declínio populacional. O relatório destaca que o comércio digital alimenta a demanda e aumenta o risco para fauna e para a saúde pública.
Especialistas ressaltam que o mercado online facilita o tráfico internacional, incluindo cruzando a fronteira mexicana para os EUA. O documento cita dificuldades legais e aplicação fraca como fatores que mantêm o tráfico em patamar de baixo risco, porém alto impacto.
Sara Walker, da AZA, afirma que primatas são animais de vida longa, não pets, e que o comércio virtual agrava o sofrimento animal e impõe pressão a zoológicos e santuários que recebem animais apreendidos. Ed Newcomer também chama a atenção para a necessidade de ações rápidas.
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