- O Japão enfrenta crise nacional de alergias sazonais (rinite alérgica), com cerca de 43% da população apresentando sintomas médios a graves na primavera.
- A causa é o plantio maciço de apenas duas espécies nativas de árvores — cedro japonês (*sugi*) e cipreste japonês (*hinoki*) — após a Segunda Guerra Mundial, que liberam grande quantidade de pólen.
- Hoje, as plantações de *sugi* e *hinoki* cobrem cerca de 10 milhões de hectares, ou um quinto do território, contribuindo para a maioria das alergias sazonais.
- O governo federal quer reduzir o pólen em cinquenta por cento em trinta anos, começando pela redução de 20% das áreas de plantio de *sugi* e substituição por florestas de folhas largas.
- Medidas complementares incluem uso de dados de pólen para orientar cortes seletivos, pesquisas para reduzir pólen e avanços médicos no tratamento, além de cobrança de 1000 ienes anuais para financiar reflorestamento sustentável.
A alergia a pólen tomou proporção nacional no Japão. O problema remonta a decisões tomadas há mais de seis décadas, pós-guerra, que levaram à monocultura de coníferas. Hoje, milhões enfrentam sintomas sazonais intensos, afetando qualidade de vida e economia.
Pesquisadores afirmam que a escolha por plantios de *sugi* (cipre) e *hinoki* (cedro japonês) intensificou a liberação de pólen. Florestas de 10 milhões de hectares, pouco diversificadas, migram o pólen para áreas urbanas na primavera.
Origens do problema
Após a Segunda Guerra, o país utilizou vastas áreas de floresta para compensar escassez de combustíveis. Necessidade de reflorestamento rápido levou a plantações de apenas duas espécies nativas, de crescimento rápido e uso futuro na construção.
Essas plantações monoculturais são a principal fonte de pólen leve, que se dispersa com facilidade até cidades. O aumento de floração com maturação a cada 30 anos agravou o quadro histórico de alergias no país.
Situação atual e impacto
A alergia tornou-se questão de saúde pública. Estima-se que quase metade da população sofra de sintomas médios a severos na temporada. Além do desconforto, há prejuízos a sono, concentração e produtividade.
Ao pico da estação, o impacto econômico é avaliado em bilhões de dólares por dia, incluindo dias de trabalho perdidos e menor consumo.
Medidas em andamento
O governo anunciou metas para reduzir o pólen em 50% em 30 anos, iniciando pela redução de áreas de plantio de *sugi* em 20%. Também prevê reflorestamento com espécies de menor produção de pólen.
Há ações para monitorar dispersão de pólen e orientar podas estratégicas. Pesquisadores estudam pulverização de árvores com soluções para inibir pólen e o uso de medicina para aliviar sintomas.
Desafios e críticas
A meta de 20% de áreas reflorestadas demanda ampla transformação de vastas áreas. Mesmo assim, manterá 80% das plantações existentes, exigindo outras estratégias complementares, como manejo florestal cuidadoso.
Especialistas lembram que é essencial considerar biodiversidade e clima a longo prazo, não apenas alergias sazonais. Críticos destacam necessidade de capacidade técnica municipal para monitoramento.
Perspectivas
O Japão busca florestas mais diversas para reduzir alergias e proteger ecossistemas. O objetivo é conciliar saúde pública, clima e economia, evitando impactos ambientais de manejo inadequado e novos problemas de solo ou água.
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