- Pesquisadores da Universidade de Cambridge usam dados de satélite e IA com a ferramenta Tessera para mapear habitats de ouriços-cacheiros no Reino Unido com alta precisão.
- Tessera analisa imagens detalhadas para localizar habitats e regiões que estão desaparecendo, identificando barreiras para alimento e acasalamento.
- Os mapas gerados capturam paisagens em detalhe, e a IA consegue prever locais favoráveis aos ouriços mesmo sob cobertura de nuvens.
- Além das imagens, dados de rastreadores GPS usados em alguns animais ajudam a monitorar movimentos em tempo real, com iniciativas semelhantes na Irlanda do Norte.
- A plataforma Tessera é aberta e já é usada por mais de cem grupos de pesquisa, com aplicações também na agricultura; há alerta sobre consumo de energia da tecnologia.
O estudo da Universidade de Cambridge usa dados de satélite e inteligência artificial para frear o declínio da população de porco-espinho no Reino Unido. A ferramenta Tessera analisa imagens detalhadas do país obtidas do espaço para localizar habitats e identificar áreas que estão sumindo.
Com Tessera, é possível mapear, em detalhes de até isoladores de cerca, o que facilita ver onde os hedgehogs encontram alimento e abrigo. A IA também prevê locais favoráveis que ficam ocultos pela nuvem, ampliando o raio de atuação dos pesquisadores.
Os responsáveis pelo projeto buscam entender não apenas onde os hedgehogs vivem, mas as barreiras que dificultam a alimentação e a reprodução. Os mapas ajudam a monitorar o efeito de novos empreendimentos habitacionais e de mudanças ambientais no espaço utilizado pela espécie.
Além disso, dados de Tessera podem ser combinados com rastreamento por GPS em alguns animais para acompanhar movimentos em tempo real. Em paralelo, há uma iniciativa na Irlanda do Norte com rastreadores tipo mochila para proteção de hedgehogs.
A linha de pesquisa mundial envolve sistemas de IA capazes de processar grandes volumes de dados e revelar padrões para conservação. Contudo, há críticas sobre o consumo de energia dessas tecnologias e seus impactos ambientais.
Digi-hogs, como passaram a chamar os animais com rastreadores, ganham atenção por oferecer visão integrada de uso de habitat. A população de hedgehogs vem caindo rapidamente na Europa nas últimas décadas.
No Reino Unido, estimativas de 2022 apontaram queda de até 75% em áreas rurais desde 2000. A espécie nativa europeia mais comum no país é classificada como “Quase Ameaçada” pela IUCN.
Profissional ligado à conservação afirma otimismo ao considerar IA como aliada. Ele ressalta que modelos avançados podem identificar barreiras específicas para alimentação e acasalamento, permitindo deslocamentos mais seguros pelo campo.
Para treinar a Tessera, a equipe utilizou cerca de 20 petabytes de dados, o equivalente a 10 bilhões de fotos digitais. A capacidade foi ampliada com novos processadores instalados no laboratório.
Um acordo com empresas Americanas, AMD e Vultr, ampliou a infraestrutura de suporte da Tessera. O sistema é aberto e já tem participação de mais de 100 grupos de pesquisa.
A plataforma não se limita aos hedgehogs. Especialistas afirmam que a Tessera pode mapear culturas agrícolas, ajudando a acompanhar cultivos em diferentes áreas ao longo do tempo.
Segundo o pesquisador Anil Madhavapeddy, o processamento de dados de satélite envolve desafios como remoção de nuvens e compensação de variações diurnas, mas a ferramenta oferece mapas fáceis de usar para perguntas específicas.
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