- Estudo aponta baixos níveis elevados de PFAS, chamados de “forever chemicals”, no estreito de Solent, entre a Ilha de Wight e o continente, com alguns locais chegando a 13 vezes o limite seguro de água costeira.
- A contaminação foi detectada em solo, água e cadeia alimentar marinha, incluindo áreas protegidas, e em amostras de diferentes espécies marinhas.
- Fontes identificadas incluem efluentes de Estações de Tratamento de Esgoto, deságues sanitários, antigos lixões e instalações militares próximas.
- Autoridades defendem monitorar a toxicidade combinada dos PFAS e discutem uma proibição ampla dos PFAS como parte da reforma hídrica do governo.
- O estudo, financiado pela Marine Conservation Society, analisou dados oficiais, água de concessionárias e amostras de doze espécies, revelando detecção de PFAS acima de limites em alguns tecidos de animais marinhos.
A pesquisa recente apontou níveis elevados de PFAS, os chamados “forever chemicals”, na região do Solent, entre a Ilha de Wight e o continente britânico. A análise revelou contaminação em solo, água e cadeia alimentar marinha, com alguns locais apresentando concentrações até 13 vezes acima do limite seguro para as águas costeiras. A investigação também indicou falhas em testes de toxicidade combinada, mesmo quando químicos isolados estavam abaixo dos limites legais.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Portsmouth, com participação de outras instituições e financiadores que incluem a Southern Water, concessionária de água e esgoto da região. Amostras foram coletadas a partir de peixes, algas e invertebrados, além de dados governamentais sobre estações de tratamento de esgoto e pontos de descarga.
Entre os locais avaliados, o Solent recebeu resíduos de descargas de estações de tratamento em Portsmouth e Fareham, operadas pela Southern Water. Os pesquisadores mapearam 194 pontos de descarte de esgoto sanitário e mais de 500 depósitos de antigos landfills que podem contribuir para a contaminação.
Resultados mostraram que alguns animais marinhos apresentaram níveis de PFAS acima de limites legais para certos compostos. Além disso, a maioria dos testes de toxicidade combinada falhou, sugerindo que a soma dos impactos é mais relevante que a análise de cada químico isoladamente.
Os especialistas destacam que o problema não se restringe ao Solent e que padrões semelhantes podem ocorrer em outras áreas costeiras do Reino Unido. A equipe reforça a necessidade de monitoramento do efeito agregado dos PFAS e de medidas para reduzir a entrada desses compostos desde a origem.
Reações e próximos passos
- A Southern Water reconheceu a necessidade de novas regras e a redução de impactos, destacando a importância de agir na fonte.
- A recomendação é avançar em políticas que limitem ou proíbam determinados PFAS, alinhando-se a abordagens europeias de banimento amplo.
- O estudo financiado pela Marine Conservation Society incentiva ações mais rápidas no processo de reforma hídrica para reduzir a exposição pública e ambiental.
- Especialistas apontam que medidas eficazes já existentes em outros setores podem servir de modelo para o setor de água e saneamento.
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