- Incêndios atingiram pelo menos 171 hectares da área de restauração de habitat de orangotangos em Pematang Gadung, Ketapang, West Kalimantan, na fronteira com a floresta em recuperação.
- Desde 2016, a Yayasan IAR Indonesia (YIARI) plantou 150 mil árvores em cerca de 300 hectares para oferecer alimento aos orangotangos e evitar que eles invadam plantações.
- Em 2024, armadilhas fotográficas mostraram orangotangos retornando ao local; especialistas dizem que a restauração vinha evoluindo, até ser ameaçada pelo fogo de março.
- O fogo começou na beira de uma área aberta para a palma de óleo, atravessou o rio e atingiu áreas de vegetação replantada, em meio a condições secas e vegetação advinda de capoeiras inflamáveis.
- A YIARI estima precisar de cerca de 250 mil dólares para fortalecer a preparação contra incêndios neste ano, além de bombas portáteis e drones; autoridades ambientais pedem intensificar a mitigação de incêndios antes da seca.
A destruição de parte de um projeto de recuperação de habitat de orangotango em Borneo, na Indonésia, ameaça anos de esforço de conservação. Fogo atingiu a área de Pematang Gadung, em Ketapang, West Kalimantan, antes do início pleno da estação seca.
Desde 2016, a Yayasan IAR Indonesia (YIARI), ligada ao International Animal Rescue, atua na restauração de áreas degradadas para oferecer alimento aos orangotangos. O objetivo é evitar que os primatas voltem a invadir áreas agrícolas.
Em 2024, câmeras de monitoramento registraram orangotangos na área restaurada, sinal de que a floresta vinha se recuperando. No entanto, em março de 2026, incêndios associados à queima de áreas para corte de óleo de palma atingiram o território.
Extensão e danos
Análise espacial realizada pela TheTreeMap, a pedido do Mongabay, indica que os incêndios atingiram pelo menos 171 hectares de floresta em Pematang Gadung entre janeiro e março de 2026. A área queimada inclui trechos com vegetação de undergrowth inflamável, dificultando a contenção.
Pessoas da comunidade local, como Rohadi, expressaram grande preocupação ao ver as chamas avançarem para a área em recuperação. A devastação é vista como um retrocesso para décadas de restauração.
Dinâmica do fogo e riscos
O fogo iniciou em área desocupada para expansão de plantações de óleo de palma, do outro lado de um rio. Em brisa forte, brasas saltaram para dentro da floresta seca, chegando a dividir o curso d’água ao percorrer cerca de 15 a 20 metros de largura.
A vegetação residual entre as árvores plantadas facilita o avanço, tornando a área particularmente vulnerável aos períodos secos iminentes. A equipe de YIARI aponta que um único Standard de manejo de fogo não seria suficiente diante de condições intensas.
Preparação e desafio
Desde o episódio de 2015, a organização investiu em equipamentos de combate a incêndios, equipes de patrulha e sistemas de manejo integrado. Porém, como admite a CEO Karmele Llano Sánchez, a preparação para uma estação seca prolongada ainda não está completa.
A carência principal é de água: bombas portáteis, custando cerca de 300 milhões de rupias, são necessárias para áreas distantes de rios. A ONG busca cerca de US$ 250 mil para reforçar a prontidão neste ano.
Perspectivas e ações governamentais
Autoridades ambientais iniciaram ações para intensificar a mitigação de incêndios, com foco em gestão de água em áreas concessionadas e suporte a prevenção em áreas geridas por comunidades. Ainda assim, a aplicação efetiva de leis que punam incêndios criminosos continua como entrave recorrente.
Para os responsáveis pela restauração, o cenário atual exige rapidez. A equipe teme que novos incêndios possam desfazer o que foi reconstruído ao longo de anos, colocando em risco a sobrevivência do orangotango da região.
Contexto regional e risco futuro
Especialistas apontam que a situação no arquipélago é agravada pela fragilidade de habitats de peat, propensos a secar e pegar fogo com mais facilidade quando degradados. O El Niño, com previsão de chegar ainda este ano, aumenta o risco de novas temporadas de queimadas.
A recuperação de Pematang Gadung já mostrou sinais de funcionamento ecológico, com orangotangos retornando em determinados períodos. O desafio é manter esse avanço frente a pressões de desmatamento, mineração ilegal e expansão de plantações.
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