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Consumo de animais selvagens aumenta na África Central, aponta estudo

Aumento do consumo de carne selvagem na África Central é impulsionado pela urbanização e eleva pressão sobre a fauna, com 31% das espécies em risco

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  • Estudo publicado na Nature analisou dados de mais de doze mil domicílios em duzentas e cinquenta e duas localidades em seis países da África Central entre dois mil e dois mil e vinte e dois.
  • Concluiu que o consumo de carne de origem selvagem aumentou aproximadamente cinquenta por cento, impulsionado pela demanda de populações urbanas em rápido crescimento.
  • O consumo anual de carne selvagem subiu de setecentos e trinta mil toneladas em dois mil para um milhão e cento mil toneladas em dois mil e vinte e dois; trinta e um por cento dos mamíferos, aves, répteis e anfíbios da região estão em risco de extinção.
  • A carne silvestre continua a ser fonte alimentar principal para milhões na região, especialmente para povos tradicionalmente caçadores-coletores, respondendo por cerca de vinte por cento da proteína diária recomendada.
  • O estudo recomenda reduzir o consumo nas áreas urbanas para manter a disponibilidade rural e fortalecer setores de proteína alternativa, além de criar empregos para quem vive do comércio de carne silvestre.

O consumo de carne de origem silvestre cresce na África Central, segundo estudo liderado pela CIFOR-ICRAF. A pesquisa aponta aumento de cerca de 50% no volume consumido, impulsionado principalmente pela demanda de populações urbanas em rápido crescimento. O levantamento foi publicado na revista Nature.

O estudo analisou dados de mais de 12 mil domicílios em 252 localidades distribuídas por Cameroon, República Centro-Africana, Congo, República do Congo, Gabão e Guiné Equatorial entre 2000 e 2022. O objetivo foi mapear o peso da caça e do consumo de fauna na segurança alimentar regional.

Na região, carne de animais silvestres continua a ser fonte alimentar para milhões, sobretudo entre povos tradicionais. O crescimento populacional—de 25 milhões para 140 milhões—aumenta tanto a demanda por alimento quanto por renda, pressionando as populações de animais.

Dados-chave da pesquisa

Segundo o estudo, 31% de mamíferos, aves, répteis e anfíbios da área estão em risco de extinção. O consumo anual de carne silvestre subiu de aproximadamente 730 mil toneladas em 2000 para 1,1 milhão de toneladas em 2022. O texto ressalta que este alimento representa 20% da proteína diária recomendada para populações rurais.

Os autores destacam que garantir a disponibilidade de carne silvestre nas áreas rurais exige reduzir o consumo em grandes centros urbanos. O documento aponta medidas para fortalecer setores de proteína alternativa, como avicultura e pesca, além de oportunidades de empregos ligadas a atividades substitutivas.

O relatório também recomenda ampliar a produção, importação e distribuição regional de opções alimentares mais seguras e culturalmente aceitáveis, para diminuir a dependência da caça de animais silvestres. O estudo é assinado por pesquisadores ligados à Wildlife Conservation Society (WCS).

Em contexto recente, a área enfrenta um surto de Ebóla no leste da República Democrática do Congo, o que pode reacender debates sobre a relação entre humanos e animais silvestres e o potencial de zoonoses. O crescimento do consumo de caça aparece como fator a ser considerado em políticas de saúde e conservação.

Segundo o pesquisador Mattia Bessone, da Max Planck Institute, o consumo de carne silvestre é parte central do tecido socioeconômico da região. Ele defende que medidas públicas incentivem o uso sustentável deste recurso pela população rural, ao mesmo tempo em que se promovem fontes alternativas de proteína.

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