- O Supremo Tribunal Federal tem adotado postura discreta em relação às investigações da fraude bilionária no Banco Master, para não ouvir comentários que possam se tornar munição política ou institucional.
- O embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça não quebrou esse silêncio durante o julgamento dos habeas corpus de Felipe Vorcaro e Henrique Vorcaro, primos e pai do banqueiro, respectivamente.
- Gilmar Mendes criticou acordos de colaboração premiada e alertou sobre delações sob pressão, sem citar diretamente investigadores do caso Master.
- Mendonça, relator, afirmou que o caso Master tem “contornos de máfia” e rebateu a ideia de que prisões seriam usadas para pressionar delações, defendendo sua atuação.
- A avaliação de pessoas próximas é de que Mendonça deve manter discrição pública, mesmo com a liberação dos autos para acesso público e menção a uma possível “delação seletiva” feita a um advogado.
O Supremo Tribunal Federal continua com postura discreta diante das investigações da fraude bilionária envolvendo o Banco Master. Interlocutores da Corte dizem que o tema é sensível e envolve figuras públicas, incluindo integrantes do próprio tribunal, o que eleva o cuidado com qualquer manifestação.
O atrito entre Gilmar Mendes e André Mendonça não quebrou esse silêncio. Embora o debate sobre habeas corpus de Felipe Vorcaro, primo do ex-CEO do Master, e de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, tenha sido acalorado, não houve manifestações públicas de peso por parte dos demais ministros.
Gilmar Mendes criticou a condução de acordos de colaboração premiada e alertou para riscos de delações obtidas sob pressão, evocando lembranças da Lava Jato. Também criticou a exposição de temas privados de investigados e a ideia de magistrados atuarem como investigadores.
Protagonistas e desdobramentos
André Mendonça, relator da investigação, respondeu de forma firme e afirmou que o caso Master tem contornos de máfia no âmbito do processo. Rebateu a leitura de que prisões teriam sido usadas para pressionar delações, destacando sua atuação pessoal.
A leitura corrente é de que Mendonça deve manter a discrição pública, mesmo com tensões internas. A liberação de autos para acesso público foi vista como medida para ampliar transparência, especialmente diante de Barreira de empates potenciais.
Segundo pessoas próximas ao ministro, o caso permanece sob controle de um colegiado restrito, sem necessidade de levar a discussão ao plenário. A defesa de Mendonça sustenta que decisões já ganharam apoio da Segunda Turma, com decisões unânimes em várias ocasiões.
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