- Nine meses antes da morte do bebê Mason Jet Lee, a polícia de Queensland recebeu alerta de uma mulher sobre o agressor William Andrew O’Sullivan, mas a denúncia foi marcada como “vexatória”.
- A polícia já tinha evidências de que O’Sullivan era suicidário e homicida e, em uma ida a um hospital, ele ameaçou machucar a mulher e matar crianças.
- O inquérito do coroner foi informado dessas falhas, mas optou por omitir as evidências, gerando preocupação sobre a transparência dos relatos em investigações de mortes.
- O jornal Guardian Australia revela que o sistema funciona como está desenhado, não sendo uma falha isolada, e aponta políticas que incentivam a desconfiança em denúncias de violência contra mulheres.
- Além disso, o caso expõe fragilidades no sistema de correição dos coroneiros e na supervisão de políticas de violência doméstica, com alegações de falta de fiscalização e de cortes de unidades especializadas no tratamento desse tema.
O caso de Mason Jet Lee mostra falhas sistêmicas na polícia de Queensland e nos tribunais, com repetidas advertências sobre William Andrew O’Sullivan não resultando em proteção efetiva. Ouvido pela última vez com vida, o garoto morreu aos poucos meses de idade.
Nove meses antes da morte, uma mulher alertou a polícia sobre o potencial de violência do agressor. O aviso foi registrado, mas marcado como “vexatório”, segundo apuração. A polícia já sabia que O’Sullivan era suicida e poderia agir com violência contra crianças.
A revelação aponta que o inquérito não recebeu esse material, que existia nos autos, o que levantou críticas sobre a transparência do inquérito coronarial. A Guardian Australia detalha esse e outros entraves no que chamam de investigação Broken Trust.
O que mudou na prática policial
O manual operacional da Polícia de Queensland orienta avaliar quatro critérios para checar crianças, incluindo o possível ganho de quem denuncia. Tal critério sustenta a percepção de que denúncias são falsas, alimentando preconceitos contra mulheres.
Relatos de 2022 apontaram respostas policiais “desdenhosas” quando mulheres buscam ajuda, especialmente se não são vistas como vítimas perfeitas. Ainda assim, a política de triagem de violência doméstica permanece vigente.
Falhas no inquérito coronarial
Guardians Australia conseguiu evidências de que uma unidade do tribunal de inquéritos recebeu informações sobre falhas policiais, mas as deixou de lado. Os coroeiros têm pouca supervisão, e não há comissão de conduta judicial em Queensland.
Casos semelhantes mostraram que famílias costumam enfrentar custos altos para contestar decisões de coroneiro, tornando improvável uma revisão independente. A reportagem aponta que esse cenário dificulta rastrear responsabilidades.
Caminhos não avançados
A reportagem destaca que, neste ano, o quadro policial de Queensland decidiu cortar seu comando especializado para violência doméstica, contrariando recomendações de ampliar o setor. A ausência de uma unidade de integridade policial conduz a preocupações sobre a responsabilização interna.
Autoridades reconhecem críticas, mas indicam avanços limitados. A Câmara de Crimes e Corrupção afirmou que a qualidade do tratamento de queixas policiais piorou, com grande volume de denúncias recebidas.
Contexto institucional
Além das falhas operacionais, o article destaca como o sistema de coroneiro, com base em leis amplas, permite decisões amplamente discricionárias. Organizações de proteção infantil pedem maior supervisão e maior transparência para evitar ocultamentos futuros.
Estudos de casos anteriores indicam que envolvimento de famílias na defesa por melhores resultados é comum, mas nem sempre resulta em informações completas. A reportagem reforça a necessidade de mecanismos de escrutínio mais robustos.
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