- Wafa Mustafa, cuja pai desapareceu em 2013, desde então busca informações sobre seu paradeiro e justiça para os desaparecidos na Síria.
- Ela reuniu forças com a cineasta Waad Al-Kateab para produzir o documentário curto Maybe Tomorrow, que estreará no Sheffield DocFest.
- O filme mostra a busca de Mustafa por respostas, começando em Berlim e avançando para a Síria após a queda do regime de Assad, enfatizando “a violência de esperar”.
- A produção aborda o impacto das desaparecimentos forçados em famílias, especialmente aquelas que vivem no exílio, e a importância de manter as vítimas vivas na memória.
- Segundo Mustafa, mais de 177 mil pessoas foram forçadas a desaparecer entre 2011 e 2025, números que o filme pretende ampliar a compreensão internacional, sem prometer desfechos felizes.
Wafa Mustafa aumenta a pressão para revelar o destino de quem sumiu na Síria. A história de sua busca começou em 2013, quando o pai Ali foi sequestrado em uma residência de Damasco por homens armados. Desde então, ela não soube mais dele.
O caso de Mustafa ilustra o cenário de muitos relatos semelhantes desde o início do conflito. Segundo a Syrian Network for Human Rights, mais de 177 mil pessoas foram forçadas a desaparecer entre 2011 e 2025, muitas vítimas de prisões arbitrárias e de abusos cometidos por forças do regime ou por grupos armados.
Agora, sob um novo governo de Ahmad al-Sharaa, Mustafa mantém a batalha por informações sobre o paradeiro do pai. O objetivo é buscar verdade e justiça para os desaparecidos e evitar que sejam esquecidos.
Ela uniu forças com Waad Al-Kateab, cineasta por trás de For Sama, para produzir o documentário curto Maybe Tomorrow. O filme estreia hoje no Sheffield DocFest e acompanha Mustafa em Berlim, onde vive, e depois na Síria, após a queda do regime, em sua busca por respostas.
A obra registra o que Mustafa chama de “a violência da espera” e funciona como uma memória condensada de seis anos de luta. O filme começa em 2020, quando ela já atuava internacionalmente para denunciar desaparecimentos e organizava vigília em Koblenz, na Alemanha, por dois ex-agentes de inteligência sírios.
Segundo Al-Kateab, a escolha de deixar Mustafa co-diretora reforça a ideia de que a protagonista pode contar sua própria história. A produção pretende mostrar o peso emocional de famílias que vivem com a incerteza sobre o que aconteceu com seus entes queridos.
A narrativa também destaca o impacto desses casos na memória individual e coletiva. Em entrevista ao filme, a mãe de Wafa revela a prática de registrar tudo, como forma de preservar informações sobre o pai. Mustafa, por sua vez, filma-se constantemente para documentar a experiência.
A produção avança com a ideia de que a luta não é apenas por direito à verdade ou por rendas de familiares vivos, mas pela lembrança de que os desaparecidos existiram. A mídia internacional é apresentada como ferramenta para ampliar a visibilidade desse tema.
Especialistas e organizações de direitos humanos destacam que os crimes não cessaram com a queda do regime. O documentário aponta que massacres e desaparecimentos continuam sob a nova liderança. A obra, no entanto, não revela um final previsível, apenas reforça a necessidade de acompanhamento global.
Apoiada por relatos de familiares de vítimas, a produção ressalta ainda o papel das mulheres na liderança da busca por respostas. Mustafa afirma que o foco é manter a memória das pessoas desaparecidas e responsabilizar os responsáveis pelos crimes.
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